26.2.13

Segredo

          11 anos parece muita coisa. Em uma década muita coisa acontece, muita coisa nasce, muita coisa morre. Certas criaturas não tem nem o privilégio de 10 anos de vida. Milhares de músicas são gravadas em 10 anos. Nesse período, estacionalmente a moda muda 40 vezes. Ídolos são presos, fazem história, ficam ricos e fracassam. Nem toda história tem 10 anos de auge.
          Mas certas coisas levam tempo pra acontecer, algumas 1 mês, outras 1 ano, 2, mas essa levou 10... 11, pra ser mais preciso. Já perdi as contas de quantas descrições suas já fiz, quantos abraços te dei, quantas vezes te olhei, quanto tempo de conversa tivemos. Não sei quantas vezes fiquei enciumado, quantas tive que me esforçar em te elogiar sem que algo acabasse transparecendo, quantas tive que esperar uma distração sua pra poder admirar tudo que eu via em você sem que percebesse. Quantas vezes aguentei crises suas, te fiz rir, ri junto com você, peguei suas manias e até fiquei triste com você.
          Tudo tão sútil quanto o andar de um gato, tudo tão simples quanto uma folha caindo no outono, tudo tão drástico como um terremoto, tudo tão estranho como o infinito. Acho que todo mundo já passou por isso, ter alguém que está perto, mas não o suficiente, que é seu, mas não o bastante, que te faz bem, mas não tanto quanto você queria, que te abraça, mas não com o mesmo sentimento que você, que te olha, mas não com o mesmo pensamento que você, que diz que te ama, mas não com a mesma intensidade que você.
          Talvez ninguém te conheça mais que eu, talvez ninguém saiba do que você gosta, do que você faz quando ninguém te vê fazendo, do que você odeia, dos seus hábitos, do que você sente, quer e sonha, como eu. Talvez você me conheça melhor do que ninguém, saiba de tudo que passei, tudo que senti, tudo que vivi, tudo que sonhei, tudo que fiz, e só você possa me criticar por tudo que quero fazer. Talvez entre nós não haja nenhum segredo, talvez haja, talvez ambos ocultem. Um mistério indescritível, incomparável, insaciável e irreversível. Um segredo, que eu temo guardar sozinho.

25.2.13

sentindo muito

As vezes me pego sentindo a sua falta. Não a falta de qualquer pessoa que possa compartilhar das mesmas coisas. Mas de você, exclusivamente. Percebo que queria te abraçar e deixar minha dor escorrer enquanto recebo um carinho; sentir seu perfume na curva do seu pescoço; segurar sua mão que eu tanto gosto; sair pra fazer algo legal ou só andar sem rumo… Sinto falta de te dar amor, ou pelo menos tentar, não tanto de receber mas de dar… porque sabe, o meu amor é seu. Tudo isso incomoda muito, machuca muito, te ver e só te ver, só poder fazer isso, olhar, quem sabe dizer um olá ou qualquer outra coisa, tudo, tudo menos o que eu queria dizer ou o que eu queria fazer. Incomoda muito parar pra pensar e lembrar que você só é o meu amor dentro da minha cabeça, e só ali vai ser, porque de verdade mesmo eu te perdi. Te perdi pra tudo. Perdi tudo que nós tinhamos. Ninguém compreende o quanto dói fingir que não me importo, que me conformei com isso e que desisti. Mas não é isso que eu sinto, não é nada disso… Eu não sei o que fazer em relação a isso, nenhuma opção parece boa, mesmo com todos prós e contras. Também não acho que a essa altura eu tenha qualquer opção então eu não faço nada. Só fico aqui. Indo e indo e tentando não sentir tanto.