29.8.14

Porta sem chave

Tenho uma metáfora muito boa que não para de pipocar na minha cabeça. Ou pelo menos ela parece muito boa, e se você não achar, azar o seu. A cada vez que eu paro pra pensar sobre, algo muda, acrescenta ou faz mais sentindo - talvez menos pra vocês.
Um dos meus livros preferidos é Alice no País das Maravilhas, e por algum motivo eu imagino que chegar até o amor seja tão complicado quanto passar por aquela porta - todo mundo sabe qual porta é. Você come, ou você bebe. Ora você é muito grande, ora muito pequeno, ou esquece a chave, quase se afoga nas próprias lagrimas. No meu país das maravilhas não existe chave, não importa se eu estiver do tamanho certo, eu não tenho a chave pra abrir a porta. Eu quero abrir, eu quero o que tem depois, mas eu não posso abrir. É uma porta magica em que ela decide se abrir e eu preciso de uma paciência pra esperar. Paciência que eu nunca tive pra essas coisas.
Eu quero toda a doidera, o sem sentido que tem atrás daquela porta. Eu quero o não saber, e o saber do que me espera naquele caminho.

5.7.14

Banco de dados

          05 de julho. Alguns meses após deixar o hábito de escrever, senti a necessidade de compartilhar algo. Há meses venho me dedicando a outros planos, outros objetivos. Pensei em talvez deixar que meu coração respirasse, tomasse um ar puro e refizesse a força para seguir em frente. Claro que para alguém tão sentimental recaídas são inevitáveis, assim como um alcoólatra caminhando por uma adega, meus batimentos tentam sintonizar os de outro alguém inconscientemente. Me vejo como alguém facilmente conquistável, mas tento me fazer acreditar que isso não passa de uma característica superficial de minha personalidade, e que meu real ser é frio, sem margens para outra decepção.
          Sem mais delongas, cheguei à conclusão de que o coração tem um certo "banco de dados". É engraçado como quando gostamos de alguém, mas gostamos de verdade, não importa o tempo que passe, equivocadamente pensamos ter esquecido a tal pessoa. Esquecemos até o momento em que ela ressurge. É como a fênix, mas nem sempre assume outra forma. O sentimento apenas renasce, sem pedir permissão ou ao menos dar tempo para pensarmos.
          Eu nem digo que é amor, porque não me arrisco a falar que sei o que essa palavra significa. Mas é algo forte, uma admiração intensa, um desejo involuntário, uma sede insaciável. É deitar pensando na tal garota, fechar os olhos e pensar: "ah! se você estivesse aqui." É ver o céu com outra cor e achar que todas as flores possuem o cheiro dela. É olhar pra cada rosto e pensar: "ah! se fosse ela." É perceber cada sorriso já pensando: "ah! se fosse o dela."
          Mas o complexo da minha vida possui o mesmo nome deste blog pelo qual lhes escrevo. Sinto, às vezes, que estou fadado a um ciclo irrecíproco. Sinto que nada nunca terá o mesmo valor para as duas partes. Se tudo que vai, volta, cadê a minha parte? Se todo o bem plantado, será colhido, cadê a minha árvore? Se todo amor dado, é enviado de volta, por que não mereço ser amado?

7.1.14

Ridículo..

Se quer amar, não tenha medo do ridículo. Porque amar é isso, ridículo. Mas é o ridículo mais lindo que existe.

3.10.13

Ei, volta pra casa

          Ei, volta pra casa. Eu perdi minha chave e só você tem outra cópia. Na verdade é só uma desculpa, mas volta mesmo assim. A porta ficou aberta, ficou de propósito, mas vem cá, entra e fecha pra mim, por favor. Não deixa mais ninguém entrar. Depois pode jogar sua cópia fora também, você não precisa sair.
          Volta pra casa, eu não sei assistir TV sozinho. Qualquer filme me lembra você, então fica aqui, me deixa te ver. Me deixa chegar em casa e te pegar ouvindo música popular. Me deixa tentar aprender as letras pra cantar pra você. Estava aprendendo a tocar tudo o que você gosta, há pouco tempo, mas agora meu violão fica de canto esperando um bom motivo pra ser usado. Volta aqui pra eu tocar pra você, volta.
          Por favor, volta pra casa. Casa não é casa sem teu perfume por todo lado. Seu cheirinho não sai da minha cabeça e aquele seu casaco de zíper preto ficou aqui pra me lembrar. Volta, tem sorvete de flocos, meia garrafa de coca e um pouco de chocolate. A gente pede pizza, eu busco esfirra, peço lanche, ou até procuro uma receita de lasanha na internet. Você sabe que eu não sei cozinhar, mas por você eu curso gastronomia em uma semana.
          Pode atrasar um pouquinho, mas volta. Fui comprar os seus cosméticos, joguei fora os lençóis que você não gostava e renovei todo o enxoval. Troquei até as cortinas. Volta, tá tudo limpinho e cheiroso esperando você. Pode deitar, eu cuido do resto.
          Eu posso cuidar daquela sua dor no pescoço, aprendi a fazer uma massagem ótima, vem cá, prometo aliviar. Tem uns livros novos na estante, sei que você não é muito chegada em Nicholas, mas comprei outros bem legais também. Pega e lê enquanto eu te massageio, vai. Deita aqui no meu colo, coloca no seu canal favorito. Vamos ver novela, alguma série de medicina ou até um show antigo. Topo até um documentário, mas deita aqui. Me deixa te acarinhar, passar a mão pelos seus longos cabelos louros, tirar uma foto sua e te falar outra vez o quanto eu gosto dessa sua pintinha charmosa. Volta aqui pra ver o que eu escrevi, é sobre você. Escrevi duas ou três músicas também, mas esse é o mais bonitinho.
          Tô me perdendo sem você, volta. Te garanto que posso substituir qualquer um que tomou o meu lugar. Vem me fazer feliz, vem ser feliz. Deixa eu te mostrar que eu mudei, vem ver que tá tudo no lugar. Coloquei até uns quadros novos na parede, mas eu boto fogo se você não gostar. Me liga, eu vou te buscar. Roubo até um carro no caminho se seus pés estiverem doendo, mas pelo amor de Deus, não me deixa passar mais uma noite sem você. Volta.

24.9.13

Te entender

          Sabe de uma coisa? Eu te entendo. Acho que é meio complicado viver comigo e saber que eu sou tão cabeça dura assim. O problema é que eu não sei como me expressar e às vezes acabo fechando as cortinas pra esconder o que tá aqui dentro.
          Só que não sai de perto de mim, por favor. Eu sei que você acha que ficar por perto é ruim, mas eu preciso de você aqui. Não dá pra ficar só imaginando se você está bem, ou aonde está por aí. Manda notícias, fala comigo. Me mostra aquele seu sorriso de vez em quando.
          Eu acho que te amo. Você sabe que ainda não consegui entender esse lance de amor, mas quer saber, de nada adianta entender e não te querer bem como eu te quero. Prefiro assim, sem saber o que é, mas sabendo como é. Acho melhor assim, sentindo, vendo, vivendo.
          Você foi sincera e eu confesso que até sonhei com isso. Talvez minha consciência tenha precisado me mostrar como seria ouvir de você o que eu li em uma mensagem qualquer. Foi ruim, eu sei, mas de que adianta lamentar e te querer longe quando meu coração te quer aqui do lado, bem perto?
          Não me importo em ser o último a ser feliz. A minha lista de prioridades anda tendo seu nome como cabeçalho e eu escrevi de caneta pra não poder apagar. Então, fica, deixa eu te fazer bem. Deixa eu tentar te mostrar que nem tudo precisa ser como tá sendo. Fica comigo hoje, pequena. Fica comigo só dessa vez.

30.8.13

O melhor

          Eu sei que te ter por perto não seria o melhor pra você, mas também sei que te ter longe não seria o melhor pra mim. Acho que a pergunta mais decorrente dos meus dias é sobre como encontrar um consenso pra essa incógnita de qual distância deveríamos ficar. Será que é possível aproximarmos nossos corpos sem que nossos corações se aproximem? Será que conseguiríamos pensar em cada um ao invés de pensarmos em nós dois?
          Quando estamos juntos é como se alguma coisa aqui dentro me lembrasse do quanto sou fraco, de como não tenho forças, ou pelo menos de como fico assim perto de você. É uma batalha constante contra te puxar pela cintura e saciar essa vontade de te dar carinho, de te beijar, de te deixar ver, ou sentir, o que tá preso nessa jaula fria e escura.
          Seu cabelo é macio, como posso me esquecer de como meus dedos deslizam por entre eles? Sua pele é suave, seu toque é como uma pluma encostando em mim. E essa sua pinta perto da boca, pequena e sutil, mas com um charme imprescindível. Acho que você por inteira é convidativa, sua simpatia, seu riso fácil, cada olhar diferente que você tem e claro, essa sua beleza indiscutível.
          Tem horas que eu paro pra pensar no que eu ando ouvindo, e olha, você bem que podia dar um tempo sabe? Não que isso me faça mal, mas me faz te querer aqui perto toda hora enquanto você tá longe e, infeliz ou felizmente dependendo do ponto de vista de quem vê, mais segura. Mas nem por isso eu paro de imaginar como seria, por mais que essa fantasia não tenha as dimensões suportadas por essa realidade que a gente vive.
          Eu sei que te ter por perto não seria o melhor pra você, mas por favor, não fica muito longe não, tá? E às vezes pode chegar pertinho, bem juntinho, que talvez esse seja o melhor pra nós dois.

27.8.13

Fotografias

          Hoje estava vasculhando algumas pastas antigas. Que péssima ideia, nem lembrava que guardava tudo aquilo. E o pior é que não são só minhas lembranças, são suas também, apesar de eu ter dúvidas se você ainda as guarda também. Foram tantos diálogos, expressões, primeiros, segundos e terceiros atos que tudo parece uma peça de teatro. Só que, infelizmente, esse teatro mexe com a gente né? E não mexe pouco, mexe o suficiente pra trastornar a cabeça por um bom tempo.
          O que aconteceu? Se o erro foi meu, errei sem entender. Se o erro foi seu, não importa mais. Talvez não fosse pra dar certo, talvez essa baboseira de destino exista mesmo. Mas impossível negar que foi bom, ótimo, chegando talvez a assumir o posto de "melhores momentos".
          Agora me restam memórias suas, e eu juro que tento filtrar pra guardar só o que foi bom. Sem rancor, sem mágoa, só um vulto que marcava minha silhueta e com certeza a deixava mais bonita. Velhas fotografias que congelaram o tempo. Antigas recordações que ficaram pra trás, mas que não voltam mais.

21.8.13

Se fosse fácil te esquecer

          Se fosse fácil te esquecer talvez eu estaria farreando, bebendo, me divertindo. Se fosse fácil te esquecer talvez eu estaria em alguma outra cidade, com alguns novos amigos, procurando por alguém que não parecesse com você. Se fosse fácil te esquecer eu provavelmente sorriria mais, daria mais "bons dias" às pessoas, escutaria músicas diferentes.
          Mas sabemos que não chega nem perto de ser fácil, né? Às vezes queria que minha habilidade fosse de pintar, quem sabe assim usaria melhor as folhas que eu molho quando começo a escrever sobre você? Queria considerar novos lugares apenas como mais alguns lugares, e não como refúgio como quando tento fugir de você. Como seria diferente sonhar sem acordar pensando em você e logo em seguida decepcionado por você ter ido embora tão rápido quanto meus olhos se abriram. Seria tudo mais fácil se não insistisse em comparar todo mundo com você.
          Se fosse fácil te esquecer meus dias seriam diferentes, e eu pararia de me importar com cada dia que eu fico longe de você enquanto você vive extremamente bem mais um dia longe de mim.

17.8.13

Inutilidade

Percebi o porque dessa vontade inconsequente que me perturba nas ultimas horas. Essa vontade de ir ai. Ir ai só pra você perceber o quanto eu posso ser amável, pra você sentir o cheiro do perfume que eu comprei mas que não vou usar pra você. Pra você, quem sabe, me perceber por pelo menos 5 minutinhos. Tudo que você chutou pra bem longe, sem nem pensar, nem olhar duas vezes. Eu queria ver um pouco de arrependimento em você. Mas do que isso iria adiantar? Agora que eu sou outra pessoa, tão diferente que nem eu mesma me reconheço. Qual o sentido de causar dor sem nenhum proposito que valha a pena, qual o sentido de trazer mais dor a tudo isso? Nenhum. 
Está é a minha dor, que vai e volta, que eu lido como posso, e que não vou impelir a ninguém, muito menos você.

16.8.13

Desculpa

          "Encerrar chamada." Meus olhos que há minutos atrás brilhavam diante do som exaltado da sua voz agora transbordam todo aquele brilho em gotas salgadas e pesadas. "Oh Deus, por que você não aceita um pedido de desculpas? Por quê?" Tudo o que eu conseguia pensar era em afogar aquelas mágoas. Desde que começamos a brigar eu tenho o costume de estocar algumas garrafas no armário, pois é, não é um hábito saudável, mas eram uma ótima companhia pros dias que você não queria saber de mim.
          Fui acendendo as luzes da casa. Coçava os olhos e apertava o interruptor. Cada vez que uma lâmpada acendia meus olhos ofuscavam, me dando alguns segundos de cegueira depois de lamentar nossa briga. De luz em luz eu cheguei na cozinha e logo abri a geladeira. Procurei, procurei, mas a nossa última briga acabou com as minhas garrafas de cerveja. Então resolvi abrir uma garrafa de whiskey, daqueles vagabundos, mas isso nem sequer passou pela minha cabeça. Enchi o primeiro copo e acendi o primeiro cigarro. Deus, como a minha mão tremia. Aquele líquido alaranjado balançava de um lado para o outro do copo enquanto eu só observava aquele movimento, sentindo o cheiro da fumaça do cigarro que queimava entre os meus dedos.
          Passei algumas horas ali, bebendo aquele whiskey vagabundo e fumando alguns cigarros baratos, até que o meu celular começou a vibrar sobre a mesa. Bati a mão pra pegar mas minha lucidez há tempos já havia deixado o meu corpo. Tentava adivinhar qual dos três celulares que eu enxergava era o real, e após algumas tentativas eu consegui. "Receber chamada." Foi um momento estranho, de expectativa a um silêncio mórbido. "Você tá aí?" Não conseguia te responder. Minha voz já estava rouca de tanta bebida e meus únicos movimentos eram suspirar coçando os olhos cada vez mais inchados. "Olha, tá na hora de conversar, você sabe. Se quiser continuar me chamando de namorada, vem pra cá. Tchau." Eu juro que esperava um "como você tá?" ou um simples "tudo bem?", mas eu te conhecia e aquela não era uma atitude que viria do seu peito orgulhoso. Levantei.
          Levantei mas quase caí logo de primeira. Minhas pernas bambeavam como em um surto anêmico e meus olhos estavam parcialmente cegos. Tudo balançava, girava, distorcia, mas mesmo assim peguei as chaves. Não era uma boa ideia dirigir, mas sei que você é do tipo apressada (menos quando se arruma, mas isso não é algo que eu deveria reclamar porque você arrumada era duas vezes mais linda do que era normalmente, sendo que seu normal já era o mais lindo que eu já tinha visto), então resolvi correr. Os pneus cantavam em cada curva, mas aquilo era necessário. Tudo era pra te ver mais uma vez e assim poder te ver muitas outras mais.
          Nunca tinha reparado, mas como você mora longe, meu Deus. Continuava acelerando, mas meus pés não tinham força suficiente. Minhas pernas ainda tremiam tomadas pela embriaguez. Pela estrada o trânsito estava tranquilo, só eu e toda aquela imensidão de asfalto. Mas de repente um carro veio na direção contrária e a luz do seu farol veio em direção ao meu rosto. No mesmo instante minha visão esbranqueceu e eu não tinha mais controle do veículo, era como se o meu corpo não respondesse aos meus comandos. Ouvi apenas uma longa derrapada e o barulho de lata batendo, amassando, retorcendo. Apaguei.
          Minutos depois acordei com telefone tocando, mergulhado em um líquido vermelho que infelizmente não vinha do veículo. Fiz um pouco de força e atendi o telefone. "Vem cá, você não me ama? Você não quer mais ficar comigo? Já cansei de ouvir as suas desculpinhas, você tem que crescer, virar um homem que parece que você nunca vai ser, e..." sua fala irritada foi interrompida por um distante barulho de sirene. Surgiu um silêncio mórbido, pior do que o da nossa última conversa. Quando aquele som se aproximou e parou por perto de onde eu estava você voltou a falar. "Você tá bem? O que tá acontecendo? Ei, responde." Sua voz estremeceu. Era estranho como seu orgulho tinha sido jogado de lado agora, mas pra mim estava tudo bem. Aquela sua voz doce era a única coisa que eu queria ouvir. Sentindo o sangue na minha garganta eu apenas juntei meu último suspiro e te pedi mais uma vez, "Desculpa!"
          Você que sempre reclamava por eu me desculpar demais, por lamentar mais do que devia, agora fica com um pedido desses como adeus, e dessa vez, é pra sempre. Desculpa.