29.9.12

Azul.

  Lá estava a menina sentada admirando a imensidão do mar. Algumas gotas salgadas a alcançavam quando a aguá batia contra a rocha. Ela não se importava. Olhava o céu azul e sorria, mas logo voltava a atenção para a aguá. 
   Ah, o céu... Olhar o céu a fazia querer voar, era outro patamar da vida, imaginava que as nuvens eram os seus sonhos. As nuvens não ficam paradas ali sempre, o vento sopra e as leva pra outro lugar. Ou chove. E tudo desmorona. Tem também as neblinas, você pode as tocar mas não dá a sensação de ser real, e elas se vão logo.
  Tudo se foi logo, pensava a menina.
  Ela deitou sobre a rocha e fechou os olhos.
  Seria simples ter pego uma arma, pular de algum lugar alto, tomar muitos remédios, ou alguma outra coisa. Simples, mas talvez não funcionasse, e ela precisava que desse certo. Ninguém poderia saber que aquilo foi de proposito, não poderia machucar alguém daquele jeito. Não podia correr o risco de algo dar errado e ter de ver todos tentando ajudar, todas as lagrimas, todo o sofrimento. O dela já bastava. Já estava cansada, já havia desistido. Era simples entrar naquele azul e esperar a vida se esvair. Não seria rápido, não seria uma espera boa. Mas tudo acabaria ali, não haveria nada mais. Nada. 
Seria um acidente. Apenas mais uma pessoa que se perdeu no azul. Não havia sido diferente nos últimos dias, não deu nenhum adeus, não se comportou de forma diferente. Sempre as mesmas palavras, os mesmo passos. Não havia nada nas entrelinhas.
  A menina abriu os olhos, se levantou. Em alguns segundos não se via mais uma menina ali; o azul a engoliu.

28.9.12

Que caminho devo seguir para sair daqui?

Não sei por qual caminho vim, onde estava, onde estou, por onde vou, onde vou chegar. Não sei se estou insistindo em algum erro, não sei se no fundo já desisti de tudo, não sei se a esperança está em conflito com o resto. Só sei que eu não ando sentindo muita coisa ultimamente. Sem choros aleatórios, sem ansiedade, sem ataques de panico. Mas as vezes dá um leve desespero, um leve pensar demais. E eu me livro disso logo. E fico assim: perdida. Tô precisando me achar em meio a esse caos. Saber o que fazer, me decidir em algo. Ter ao menos uma direção. Peço conselhos aos quatro ventos, mesmo já sabendo que nenhum ira me agradar e serão só ideias.Talvez o problema de tudo seja eu ser uma Alice, que não saber onde quer chegar e assim, não sabe por onde ir; e ninguém diz por onde ir sem que haja uma resposta para o onde quer chegar. Decisão difícil, importante. Eu ainda sou jovem demais, sem noção demais, medrosa demais. Não sou uma grande lutadora, não me dedico, o golpe mais fraco me faz querer desistir e procurar algo diferente. Mas sinto essa necessidade de me decidir e não desistir, não mudar de ideia. Sinto que se não tiver um objetivo fixo, aquele feito de material resistente - que não desmorona com qualquer brisa ou tempestade. Algo que se torne parte de mim de uma maneira que nunca mais irá me abandonar. Enquanto isso não acontece, eu fico brincando de Alice, só tentando voltar pra casa. Ora ou outra me distraindo por esse caminho que não é bem um caminho. Mas continuo indo, ou vindo. Sem luzes pra me guiar. Quem sabe eu não tropece em algo bom. Ainda sobrou um pouco de otimismo.

25.9.12

Impossível não querê-la feliz

          Às vezes nos sentimos sozinhos, sem ninguém, até mesmo desamparados. Às vezes rogamos aos céus por um motivo para sorrir, mas as nuvens permanecem escuras, nubladas, e os trovões estremecem nossos desejos como se nosso alicerce fosse completamente mal fundamentado. Sonhamos em cacos, nossa visão fica distorcida, sonhamos como que em um quarto escuro. Tudo o que precisamos às vezes são asas, daquelas que cobrem e protegem, como escudos em uma frente de batalha que geralmente estão nos braços de pessoas que não sabem voar.
          Ela sempre foi quieta, isolada, reservada, mas a todo momento esteve ali. Observava, vivia, ajudava, e sempre lutava por um sorriso. Animada, extrovertida, tirava a melhor das sensações em mim. Confiável, sincera, conselheira, de suas palavras a melhor das intenções, e dos meus segredos cofre perfeito. Era linda, de beleza única e sem igual, morena, de cabelos negros, olhos castanhos e um jeitinho todo sem jeito. Com um olhar pedia um abraço, com outro pedia carinho, e com seu abraço segurava o meu mundo. Secava minhas lágrimas, escutava minhas mágoas, confortava minha dor, a branca de neve do coração puro. Um anjo sem asas com o dom milagroso do bem estar. Uma criatura talvez feita para ensinar, compreender ou realizar sonhos. Alguém diferente, inigualável e especial.
          Era difícil não se apaixonar, resistir ao calor daquele abraço e ao brilho daqueles olhos. Difícil era vê-la triste e não poder ajudar. Difícil era fazer tudo o que podia e ver que ainda não era o suficiente para sua felicidade. Difícil era não amá-la como a si mesmo. Difícil era não querê-la bem. Impossível é não querê-la feliz.

20.9.12

"Alice no país da realidade"

Acho que sou uma dessas pessoas que parecem difíceis mas são bem fáceis. Calma, não é no sentindo que você deve estar pensando. Vou tentar explicar, mas já deixo claro que essa é uma das coisas que eu não sou nada boa em fazer.
Mudo de ideia rapidamente, tenho poucas certezas na vida - se é que realmente tenho alguma -, posso contar tudo que lembrar sobre mim hoje e amanha estar diferente, e mesmo que fizesse uma dissertação todo dia ainda não haveria nada fixo, e considerando que ela seja sempre sincera; sim, eu minto e omito bastante coisa, digo o que querem ouvir apenas por falta de paciência, escondo coisas que talvez não devesse; não aceito colo quando estou triste, mas existem raras exceções, se eu cobrar atenção é porque tem algo errado.
Já me disseram que sou apenas uma menininha disfarçada de madrasta da branca de neve (aquela versão de once upon a time), que no fundo eu sou uma boa pessoa e adoro e só quero receber carinho. Eu nego, mas agora vou admitir que é verdade. Sou carente. Não ligo se um garoto que eu mal conheço se sentar do meu lado e ficar abraçado comigo por um tempão (hello stranger, queria mencionar isso e dizer obrigado). Nada me faz sentir melhor do que um abraço bem apertado e que dure muito tempo. Mas abraços assim quando estou triste não são validos, meus olhos quase transbordam com as lagrimas, e se tem uma coisa que eu odeio é chorar, mas eu choro, e demais, se eu fosse um cartoon iria inundar meu quarto todos os dias. Gosto da minha imagem de durona (que eu penso ter), mas é só chegar em casa que o verdadeiro eu aparece, e chora tudo que tem pra chorar. Penso que existem varias Tati dentro de mim, e que a verdadeira e essa chorona e carente, mas ninguém a conhece porque as outras não deixam. Estão em constante briga, mas é uma briga com boas intenções, só não querem que vejam o quanto a pequena é uma criança vulnerável, afinal, como vencer se contarmos o plano? Então ela fica lá quietinha, ora ou outra algo a atinge e surge outra Tati para defendê-la. Acho que algum dia vai ter tantos eu de mentira que eu de verdade vai morrer sufocada. Tenho um pouco de medo disso, ao mesmo tempo sei que seria ótimo e aguardo ansiosamente.
Gosto muito de coxinha e mudo de assunto rápido. Quando acordo cedo, sempre tem uma luz que entra pela janela do banheiro (aqueles fechos de luz) e eu consigo parar bem pertinho do espelho e essa luz fica nos meus olhos. Tenho olhos castanhos. Vejo um deserto nos meus olhos ou talvez seja um planeta distante e desconhecido.  Meus olhos me descrevem: distante e desconhecida.
Não gosto de falar, não gosto de compartilhar meus pensamentos e sentimentos, gosto de ser a ouvinte, o abraço acolhedor, o ombro para chorar. Sou mal interpretada, por não usar as palavras certas, por não me ouvirem com atenção, e principalmente por eu ser tão confusa.
E tem tantas coisas mais pra falar sobre mim, mas já não quero falar nada. Quero guardar todo o resto pra mim, afinal, já falei demais.

Alguma coisa sobre o amor


E aí eu encontrei o amor. Sem esperar, sem querer. Sem tempo de conseguir identifica-lo e então fugir. Quando percebi já havia me dominado. Só pude sentir aquilo. Tudo aquilo.
Amor é se preocupar se ela está bem; é tentar tudo para anima-lá; é mandar bom dia só pra ela saber que estava pensando nela; é mandar boa noite só pra ela saber que pensou nela antes de dormir; é sentir que a tarde foi incompleta por não ter falado com ela; é querer pedir pra ela ficar mais um pouco; é sorrir com todos sms; é ficar triste por não poder responder; é quase implorar pra ir ao cinema contigo; é vê-la antes de ela te ver e ficar com cara de boba; é passar metade do filme arrumando coragem pra segurar a mão dela; e conseguir a coragem e pensar que não há nada melhor que isso; é não querer se despedir; é querer tudo de novo um segundo após se despedir; é contar para todos os amigos como foi incrível; é querer saber se ela gostou; é sonhar com ela; é contar os dias para vê-la novamente; é não poder vê-la; é inventar uma mentira para poder ir; e se perder por não saber o caminho; é ter que ligar pra ela morrendo de vergonha por estar indo sem avisar; é dar um abraço apertado; e se preocupar se ela sentiu tudo que você queria que ela sentisse; é ficar com receio de falar algo que a faça pensar que ela te deixa nervosa; e ela deixa; é dar abraço e dizer tchau e não ir embora; e fazer tudo de novo; é não prestar atenção na explicação de como voltar; é ouvir a sua voz mas não entender as palavras; é pensar em como o abraço foi gostoso; é pensar todos os dias nela; é querer ela de presente de natal; é observar as fotos dela pela casa; é tentar tocar the only exception pra ela; é precisar de 5 minutos para pedi-la em namoro; e quase gaguejar; é ficar surpresa ao ouvir aquele ‘claro’; e não saber o que fazer em seguida; é ficar esperando que ela te beije; é estar nervosa demais para conseguir beija-la de volta; é estar muito nervosa; é dizer que tem que ir embora; é pedir pra que ela te leve até a rodoviária; é perder o ônibus e fazer ela andar mais ainda contigo; é não acreditar que ela aceitou mesmo; é desejar nos primeiros segundos do ano que ela seja sua; é morrer de saudades; é marcar de sair e ficar triste por ter que cancelar; é pagar as duas  passagem sem que ela perceba e ficar rindo das tentativas dela de pagar o cobrador; é querer poder segurar a mão dela no shopping para que todos vessem como você era a garota mais sortuda do mundo; é ir ao cinema e não assistir o filme porque olha-la é muito melhor; é sussurrar o primeiro eu te amo; e ouvir outro; é fazer mil perguntas bobas; é querer saber o que ela não gosta de comer; e ainda lembrar da resposta; é faze-la ir comprar doce com você e acabar não comprando nada; é não ter assunto mas querer escutar a voz dela; e falar que ela tem uma pulseira legal; é ganhar a pulseira por ser especial pra ela; é não ter tirado a pulseira até hoje; é sentar num banco pra esperar pelo ônibus e querer matar o tiozinho que veio falar com ela; é dar um jeito de ter sua mão na dela sem que ninguém perceba; é querer ficar com ela até o pai dela vir a buscar; é se despedir com um aperto no coração; é pedir pra que ela se cuide; é perceber que o céu está lindo e querer que ela veja também; é tentar tocar musicas bonitas pra ela; e ser interrompida com um beijo; é escrever coisas bobas; é apanhar com um galho e rir; é deixa-la constrangida até ficar vermelha; e a deixar mais constrangida dizendo que ela está vermelha e linda; é ficar com raiva por não dar pra se despedir decentemente; é sair com um amigo e arrumar uma desculpa pra vê-la antes de ir pra casa; é querer leva-la pra um lugar que só exista você e ela; é querer poder largar tudo pra encontra-la e ver o sorriso lindo que só ela tem; é ir viajar e imaginar como seria se ela estivesse junto; é tirar a pulseira por medo que o mar a roube de você; é ficar com o coração apertado ao receber um sms triste; é querer mandar uma mensagem telepática avisando que está doente e sem credito; e que a ama; é esperar ela pegar o sorvete e roubar o sorvete dela; é assistir os piores filmes da tv; é comer o segundo pedaço de pizza mesmo não querendo; é olhar as fotos pela casa dela e se perguntar se um dia teram uma casa juntas e fotos por ai; é ver que o céu esta lindo mas não dizer porque o pai dela esta perto; é querer sair no meio daquele tempestade só para dar aquele clichê beijo na chuva; é querer ficar com o rosto na curva do pescoço dela porque seu perfume é gostoso; é sentir o cheio dela antes de ir dormir, mesmo sendo impossível; é não conseguir segurar o choro; e dizer que não quer que ela vá embora; é beijo sabor coca; é ficar com vergonha ao lembrar de algo; é ouvir alguma coisa engraçada e olhar para os lados para ver se ela esta rindo também; e ficar chateada por ela não estar ali; é assistir algo que não gosta só porque ela gosta; é comprar coca ao invés de sprite porque nunca se sabe quando ela pode aparecer; é ter esperança mesmo que seja impossível; é se desesperar ao saber que algo deu errado; é querer tomar todas as suas dores; é ver um sorriso e ver o sofrimento escondido por detrás; é abraça-la por longos minutos até precisar ver seu rosto de novo; é conforta-la e deixa-la chorar em seus braços; e ser forte para isso; é errar tentando fazer o que pensa ser melhor; é deitar  a cabeça no travesseiro e desejar que fosse invisível para todos, exceto ela, assim ela nunca estaria sozinha; é não saber o que fazer depois de dias sem noticias; é não conseguir parar de imaginar como seria se ela estivesse com você; é ficar até de madrugada escrevendo algo que ela nunca irá ler; é só precisar saber que ela está bem; é sentir ciúme, raiva e medo mas confiar mesmo assim; é brigar e mesmo assim se lamentar por não passar o dia dos namorados juntas; é ter o coração partido; é fazer o que consegue e o que não consegue para guardar tudo isso; é dar uma segunda chance; é guardar todo o sofrimento; é ter mil coisas na cabeça e querer só ficar quietinha mas fazer o que é preciso mesmo assim; é dizer algo que não penso de verdade, só por achar que será melhor; é confiar de novo; é ficar acordada até meia-noite e acordar as cinco da manha só pra conversar; é fazer algo errado e se arrepender; é se sentir mal por isso e precisar tomar um ar; é ir assistir o final daquele filme com ela; é escolher o sabor errado de milk shake e ser zoada por isso; é ter mais ciúmes; é o coração apertar porque está quase na hora de se despedir; é ir mais pra esquerda rs; é vê-la ir embora e continuar sentada sozinha no escuro; e chorar; é querer apertar o botão do replay; é sentir o coração acelerar e as mãos suarem; é dizer um oi tímido; é acha-la fofa fazendo drama por causa de um inseto voando; é estragar a coca-cola colocando aquele negocio rosa; é poder abraça-la pelo tempo que quiser; é faze-la  se sentir linda e amada; é fechar os olhos e sentir a mão dela fazendo carinho no seu rosto; é abraça-la apertado até a vontade de chorar passar; é continuar de olhos fechados após a beijar por ter medo de acordar de um sonho; é pegar dois ônibus, mesmo sendo desnecessário, para não deixa-la ir sozinha; é achar seu chinelo da coca-cola legal; é achar suas mãos e pés fofos e nem saber o porque; é apresenta-la pro seu melhor amigo; é ficar com vergonha quando percebe que ela esta te observando; é poder andar de mãos dadas sem se preocupar; é tirar fotos dela fazendo cara de quem quer te matar; é ficar preocupada e querer leva-la para casa; é ficar sem palavras quando ela coloca uma aliança no seu dedo; é querer matar aquele idiota que não para de olhar pra ela; é, sem querer, pegar no sono com a cabeça no ombro dela; é te-la nos seus sonhos e fora deles; é segurar o choro mais uma vez; é dizer tchau; e se perguntar se aquele abraço foi intenso o suficiente, se ela consegue ver nos seus olhos o quanto a ama, se ela sente a mesma coisa; é querer pedir pra ela ficar; e não ir embora nunca; não te deixar nunca; é ir pra qualquer lugar e imaginar vocês ali; é querer fazer ela sentir tudo que você sente; é querer cuidar dela e estar com ela; é não pedir nada de natal, pois já ganhou o que queria; e nos primeiros segundos de mais um ano, dizer as estrelas que a ama.
É precisar parar de escrever porque não sabe se vai conseguir parar de chorar depois de começar...

19.9.12

Feliz Aniversário Gih.

          Ela é linda, sonhadora, carinhosa e acreditava em tudo o que fazia. Tinha um dom de fazer as pessoas se encantarem com tanta delicadeza e confiança, com tanta sinceridade e bondade, com tanto pra dar sem pensar que um troco seria necessário. Ela sabia que um dia seus sonhos iam se realizar, que um dia tudo ia entrar nos eixos, e que finalmente a vida mostraria à ela tudo o que ela precisava pra viver, mas não uma vida como já vive, uma vida melhor, cheia de alegria, cheia de amor, e o mais imprescindível, cheia de expectativas realizadas. Tudo o que ela sonhara até então, agora virou sua mais concreta realidade.
          Uma dúzia de anos parece algo pequeno, visto de quem já viveu demais, mas pra quem olha pra ela, foi tempo demais pra fazer tanto e tão bem. Pode ser pouco tempo pra alguns, mas para outros é tudo o que importa. E agora, nesse dia, mais uma jornada começa... Pouco tempo? Talvez, mas começa algo novo e provavelmente diferente. É mais um ano em que ela sonha realizar seus sonhos, mais um período onde fantasias podem se tornar reais.
          Hoje começa seu décimo terceiro ano, meu bem. Use-o da melhor forma possível. Continue acreditando, continue sonhando, continue realizando. A felicidade já tem seu nome marcado e você merece ser feliz. Que todo o universo conspire a seu favor, e que tudo o que se pode ser desejado de bom venha a acontecer na sua vida. Se cuide e acima de tudo, continue sendo você mesma. Fica bem.

17.9.12

E quando chove...

Todo dia chove; uma tempestade ou uma garoa. Todo dia essa chuva salgada lava meu rosto.

Pago por você

Será, que vale a pena ficar pensando?
no que, os dias pra mim estão guardando,
e se, você for o amor que eu 'tô' esperando,
eu não, vou tentar resistir ao teu encanto.

Porque, eu ainda não sei se encontrei,
o que, a vida inteira eu procurei,
mas se, for você então eu já achei,
e se você for minha rainha eu vou ser o seu rei.

Porém, o tempo ainda não nos mostrou,
se o que, estamos sentindo é mesmo amor,
ou se, é só pra esquecer do que passou,
então vamos ver o que acontece, se contigo eu vou.

Eu sei, que você me conquista assim,
enfim, é o seu jeitinho tudo o que falta em mim,
se sim, é com você que eu vou estar no fim,
sabendo que eu sou seu príncipe ou o seu vagabundin'.

Pra mim, você é muito mais que uma rainha,
assim, dessas que não tem em qualquer esquina,
e sim, te ter pode crer que é a minha sina,
eu faço disso muito mais que um sonho, um plano de vida.

Eu vou, te ter, amar, você,
lutar, correr, ganhar, perder,
mas eu sei que vou viver, pra sempre com você,
mesmo que isso custe o amor, eu pago por você.

A vida que vivemos não é uma escolha minha,
eu te fiz parte dela, você é minha rainha,
daqui a um longo tempo, dentro da nossa casinha,
vai ter uma criança, chamada de princesinha.

Filha da mulher mais linda, com o seu olhar,
meiga, carinhosa e com o seu jeito de amar,
prendada, educada, com seu jeito de falar,
minha segunda dama a quem vou me dedicar.

Até lá, ainda temos muito o que viver,
jovens apaixonados sem medo de envelhecer,
vivendo cada dia, deixando acontecer,
mas sempre fazendo esse sentimento crescer.

16.9.12

Aquilo que já está escrito

          Ela foi, devagar, mexendo com tudo o que ele sentia. Ela mostrava ter algo que ele sempre havia procurado. Ela se foi tornando mais do que apenas uma peça do quebra-cabeças dele. Em pouco tempo, ele a via estampada em cada um dos lugares que olhava. Parecia que o verão tinha chegado mais cedo e novamente esquentado o seu coração.
          Ele se sentia perdido, como em um túnel escuro, e tinha medo de chegar à luz. Ele sabia que a luz da sua vida era ela, como uma pequena estrela que por mais simples contribui de um jeito único a uma noite estrelada. Ele não sabia o que ela estava guardando dentro dos seus sonhos, nem se ele ao menos existia neles. Ele ficava apreensivo de que novamente ficasse cedo por uma luz mais forte do que seus olhos podiam aguentar.
          Ela vivia tendo a necessidade de ser o norte dele. Ela sempre sonhou em ser a constelação mais bela das quais ele tinha recordação. Ela vivia pedindo aos céus que um milagre de amor unisse dois corações necessitados exatamente do que um podia dar para o outro. Ela sentia que ele era mais do que os seus sonhos a mostrara e queria vê-los acontecer. Mas ela tinha medo, medo de que ele ao invés das flores de primavera fosse apenas como as folhas secas de outono, e deixasse seus braços tão rápido quanto elas se desprendem de seus galhos.
          Dois corações sedentos por amor. Dois peitos sobrecarregados de medo. Duas vontades de forças inimagináveis. Dois sonhos completamente incertos. Duas mãos ansiosas por um toque. Dois lábios desesperados por um beijo. Dois corpos esperando, apenas, por tudo aquilo que já está escrito.

Me diga

          É estranho pensar demais em você assim? Será que eu não deveria esperar mais um pouco pra começar a fantasiar as coisas? Onde eu deixei toda aquela razão que eu julgava ter? Como isso pôde acontecer?
          Às vezes parece que foi tão rápido o processo entre te conhecer e ter você em mente vinte e quatro horas por dia... Mas às vezes parece que eu já te conhecia a muito tempo, que você era algo que sempre esteve guardado pra mim. Não sei se somos vítimas de uma brincadeira do tempo, ou se somos alvos de uma de suas maravilhosas obras sem sentido. Sim, sem sentido, mas apenas para nós, para aqueles que são submetidos a um holocausto vivencial. Quando tudo parecia acabado, a barreira entre tempo espaço foi mais uma vez quebrada inserindo um gancho entre o suposto final e o misterioso recomeço, deixando, talvez, uma confusão que afetaria nossas escolhas de um jeito difícil de se entender.
          Entretanto, o que cabe a nós fazer? Vale a pena entrar de cabeça nesse épico romance, ou o que nos cabe é aproveitar cada pequena labareda desse paixão que vem surgindo, pedacinho por pedacinho, até seu clímax de calor? Me diga, me mostre o que você quer, faça-me ver com os seus olhos. Me faça parte de sua vida, ou apenas me peça pra vivê-la por você.

15.9.12

K.O.

Não sou uma dessas pessoas batalhadoras, nunca fui. Menos ainda quando tenho concorrência, mas eu já não tenho mais nada, absolutamente nada. Se eu ganhar: lucro. Se eu perder eu vou continuar no mesmo lugar. Então prefiro lutar contra o meu adversário invisível, com esse constante medo de um nocaute. Continuar com tudo que eu tenho, até o ultimo segundo, e se eu perder, pelo menos eu vou saber que me esforcei - talvez não em todos os segundos desde o começo. Antes de desistir de tudo, eu preciso tentar isso. Esse último round.

Amor de quatro estações

          Ela, tão pequena, tão intocável. Ele, tão grande, tão surrado. Ela, carinhosa e carente. Ele, querendo dar carinho sem pensar no que teria de volta. Ela, tão educada, tão perfeitinha. Ele, tão largado, tão insuficiente. Eles, tão diferentes, tão em comum...
          Um olhar marcado, profundo. Um nome de um som tão agradável quanto o canto dos pássaros da primavera. Um jeito meigo, encantador como os tão surreais contos de fadas. Um falar tão culto quanto um poema daqueles que fazem estremecer o coração. Uma personalidade tão adorável como o desabrochar de uma rosa. Uma pele tão frágil quanto o desmanchar de um dente-de-leão soprado por uma brisa de fim de tarde. Um corpo tão encantador quando o ofuscante brilho de um diamante recém esculpido. Era tudo perfeito, tudo no lugar...
          Ele não sabia mais se o que via era apenas encantamento, ou se já havia começado a gostar demais. Ele não sentia mais vontade de ficar sozinho pra sempre outra vez. Ele só queria segurar as mãos dela, e a pedir pra ficar.. Que fosse por um segundo, que fosse por dois.. Mas que apenas ficasse. Ele via as fotos como um sonho distante, de um amor tão perto. Ele só sabia falar dela, e pensar nela durante cada segundo longe. Ele só queria a abraçar, dizer que a amava, talvez vivendo um outro amor. Tudo o que ele queria era tentar, descobrir, ver aonde tudo iria dar. Tudo o que ele queria era arriscar em uma paixão de inverno, ou em um amor de quatro estações.

Muralha invisível

Frequentemente eu me perco por aí e por aqui. Me perco dentro dos meus planos, aqueles que costumavam ser tão concretos e definidos, mas que foram definhando, agora tenho miopia dupla, enxergo as coisas internas e externas... Quer dizer, quase não as enxergo. Há aquela linha tênue entre meus sonhos e a realidade, que na verdade, deveria ser uma muralha, porém minha mente adora me pregar peças e então junta tudo e embaralha. Apesar de tudo sei o que é a realidade e o que gostaria que fosse, mas eu não gosto de andar, prefiro voar, e assim continuo colocando minhas fichas nos meus sonhos; continuo me decepcionando todos os dias.

14.9.12

Uma outra pessoa qualquer

          Ele olhou pra própria vida, sentia um vazio, mas dessa vez não era o mesmo vazio de antes, era diferente, era um vazio que ele esperava há um longo tempo. Era um vazio sem preocupações, um vazio sem cobranças, muito menos com coisas a se importar. Era um vazio pessoal, um vazio só dele. Era um vazio cheio de alívio, cheio de vontade, e cheio de tudo o que havia de bom dentro dele.
          Tudo o que ele havia sonhado veio ao chão. Tudo o que ele pensava acreditar, se desfez em frente aos próprios olhos. Tudo o que ele havia planejado agora são só folhas rasgadas. O amor que tanto acreditava viver, não passou de um mais um ato de paixão. Os sorrisos que dava, hoje parecem memórias construídas à base de meias verdades. Tudo o que ele queria era uma vida, mas uma vida a dois, uma vida que não fosse vivida apenas por ele.
          Ele nunca acreditou em destino. Ele nunca pensou que o futuro também era uma palavra boa. Ele nunca disse que tinha esperança. Agora, tudo o que ele faz é ter esperança de que o futuro o traga algo bom, algo que talvez, seu destino guarda. Talvez nas mãos do tempo, talvez nas mãos do acaso, ou talvez, nas mãos de uma outra pessoa qualquer.