Eu sei que te ter por perto não seria o melhor pra você, mas também sei que te ter longe não seria o melhor pra mim. Acho que a pergunta mais decorrente dos meus dias é sobre como encontrar um consenso pra essa incógnita de qual distância deveríamos ficar. Será que é possível aproximarmos nossos corpos sem que nossos corações se aproximem? Será que conseguiríamos pensar em cada um ao invés de pensarmos em nós dois?
Quando estamos juntos é como se alguma coisa aqui dentro me lembrasse do quanto sou fraco, de como não tenho forças, ou pelo menos de como fico assim perto de você. É uma batalha constante contra te puxar pela cintura e saciar essa vontade de te dar carinho, de te beijar, de te deixar ver, ou sentir, o que tá preso nessa jaula fria e escura.
Seu cabelo é macio, como posso me esquecer de como meus dedos deslizam por entre eles? Sua pele é suave, seu toque é como uma pluma encostando em mim. E essa sua pinta perto da boca, pequena e sutil, mas com um charme imprescindível. Acho que você por inteira é convidativa, sua simpatia, seu riso fácil, cada olhar diferente que você tem e claro, essa sua beleza indiscutível.
Tem horas que eu paro pra pensar no que eu ando ouvindo, e olha, você bem que podia dar um tempo sabe? Não que isso me faça mal, mas me faz te querer aqui perto toda hora enquanto você tá longe e, infeliz ou felizmente dependendo do ponto de vista de quem vê, mais segura. Mas nem por isso eu paro de imaginar como seria, por mais que essa fantasia não tenha as dimensões suportadas por essa realidade que a gente vive.
Eu sei que te ter por perto não seria o melhor pra você, mas por favor, não fica muito longe não, tá? E às vezes pode chegar pertinho, bem juntinho, que talvez esse seja o melhor pra nós dois.
30.8.13
27.8.13
Fotografias
Hoje estava vasculhando algumas pastas antigas. Que péssima ideia, nem lembrava que guardava tudo aquilo. E o pior é que não são só minhas lembranças, são suas também, apesar de eu ter dúvidas se você ainda as guarda também. Foram tantos diálogos, expressões, primeiros, segundos e terceiros atos que tudo parece uma peça de teatro. Só que, infelizmente, esse teatro mexe com a gente né? E não mexe pouco, mexe o suficiente pra trastornar a cabeça por um bom tempo.
O que aconteceu? Se o erro foi meu, errei sem entender. Se o erro foi seu, não importa mais. Talvez não fosse pra dar certo, talvez essa baboseira de destino exista mesmo. Mas impossível negar que foi bom, ótimo, chegando talvez a assumir o posto de "melhores momentos".
Agora me restam memórias suas, e eu juro que tento filtrar pra guardar só o que foi bom. Sem rancor, sem mágoa, só um vulto que marcava minha silhueta e com certeza a deixava mais bonita. Velhas fotografias que congelaram o tempo. Antigas recordações que ficaram pra trás, mas que não voltam mais.
O que aconteceu? Se o erro foi meu, errei sem entender. Se o erro foi seu, não importa mais. Talvez não fosse pra dar certo, talvez essa baboseira de destino exista mesmo. Mas impossível negar que foi bom, ótimo, chegando talvez a assumir o posto de "melhores momentos".
Agora me restam memórias suas, e eu juro que tento filtrar pra guardar só o que foi bom. Sem rancor, sem mágoa, só um vulto que marcava minha silhueta e com certeza a deixava mais bonita. Velhas fotografias que congelaram o tempo. Antigas recordações que ficaram pra trás, mas que não voltam mais.
21.8.13
Se fosse fácil te esquecer
Se fosse fácil te esquecer talvez eu estaria farreando, bebendo, me divertindo. Se fosse fácil te esquecer talvez eu estaria em alguma outra cidade, com alguns novos amigos, procurando por alguém que não parecesse com você. Se fosse fácil te esquecer eu provavelmente sorriria mais, daria mais "bons dias" às pessoas, escutaria músicas diferentes.
Mas sabemos que não chega nem perto de ser fácil, né? Às vezes queria que minha habilidade fosse de pintar, quem sabe assim usaria melhor as folhas que eu molho quando começo a escrever sobre você? Queria considerar novos lugares apenas como mais alguns lugares, e não como refúgio como quando tento fugir de você. Como seria diferente sonhar sem acordar pensando em você e logo em seguida decepcionado por você ter ido embora tão rápido quanto meus olhos se abriram. Seria tudo mais fácil se não insistisse em comparar todo mundo com você.
Se fosse fácil te esquecer meus dias seriam diferentes, e eu pararia de me importar com cada dia que eu fico longe de você enquanto você vive extremamente bem mais um dia longe de mim.
Mas sabemos que não chega nem perto de ser fácil, né? Às vezes queria que minha habilidade fosse de pintar, quem sabe assim usaria melhor as folhas que eu molho quando começo a escrever sobre você? Queria considerar novos lugares apenas como mais alguns lugares, e não como refúgio como quando tento fugir de você. Como seria diferente sonhar sem acordar pensando em você e logo em seguida decepcionado por você ter ido embora tão rápido quanto meus olhos se abriram. Seria tudo mais fácil se não insistisse em comparar todo mundo com você.
Se fosse fácil te esquecer meus dias seriam diferentes, e eu pararia de me importar com cada dia que eu fico longe de você enquanto você vive extremamente bem mais um dia longe de mim.
17.8.13
Inutilidade
Percebi o porque dessa vontade inconsequente que me perturba nas ultimas horas. Essa vontade de ir ai. Ir ai só pra você perceber o quanto eu posso ser amável, pra você sentir o cheiro do perfume que eu comprei mas que não vou usar pra você. Pra você, quem sabe, me perceber por pelo menos 5 minutinhos. Tudo que você chutou pra bem longe, sem nem pensar, nem olhar duas vezes. Eu queria ver um pouco de arrependimento em você. Mas do que isso iria adiantar? Agora que eu sou outra pessoa, tão diferente que nem eu mesma me reconheço. Qual o sentido de causar dor sem nenhum proposito que valha a pena, qual o sentido de trazer mais dor a tudo isso? Nenhum.
Está é a minha dor, que vai e volta, que eu lido como posso, e que não vou impelir a ninguém, muito menos você.
16.8.13
Desculpa
"Encerrar chamada." Meus olhos que há minutos atrás brilhavam diante do som exaltado da sua voz agora transbordam todo aquele brilho em gotas salgadas e pesadas. "Oh Deus, por que você não aceita um pedido de desculpas? Por quê?" Tudo o que eu conseguia pensar era em afogar aquelas mágoas. Desde que começamos a brigar eu tenho o costume de estocar algumas garrafas no armário, pois é, não é um hábito saudável, mas eram uma ótima companhia pros dias que você não queria saber de mim.
Fui acendendo as luzes da casa. Coçava os olhos e apertava o interruptor. Cada vez que uma lâmpada acendia meus olhos ofuscavam, me dando alguns segundos de cegueira depois de lamentar nossa briga. De luz em luz eu cheguei na cozinha e logo abri a geladeira. Procurei, procurei, mas a nossa última briga acabou com as minhas garrafas de cerveja. Então resolvi abrir uma garrafa de whiskey, daqueles vagabundos, mas isso nem sequer passou pela minha cabeça. Enchi o primeiro copo e acendi o primeiro cigarro. Deus, como a minha mão tremia. Aquele líquido alaranjado balançava de um lado para o outro do copo enquanto eu só observava aquele movimento, sentindo o cheiro da fumaça do cigarro que queimava entre os meus dedos.
Passei algumas horas ali, bebendo aquele whiskey vagabundo e fumando alguns cigarros baratos, até que o meu celular começou a vibrar sobre a mesa. Bati a mão pra pegar mas minha lucidez há tempos já havia deixado o meu corpo. Tentava adivinhar qual dos três celulares que eu enxergava era o real, e após algumas tentativas eu consegui. "Receber chamada." Foi um momento estranho, de expectativa a um silêncio mórbido. "Você tá aí?" Não conseguia te responder. Minha voz já estava rouca de tanta bebida e meus únicos movimentos eram suspirar coçando os olhos cada vez mais inchados. "Olha, tá na hora de conversar, você sabe. Se quiser continuar me chamando de namorada, vem pra cá. Tchau." Eu juro que esperava um "como você tá?" ou um simples "tudo bem?", mas eu te conhecia e aquela não era uma atitude que viria do seu peito orgulhoso. Levantei.
Levantei mas quase caí logo de primeira. Minhas pernas bambeavam como em um surto anêmico e meus olhos estavam parcialmente cegos. Tudo balançava, girava, distorcia, mas mesmo assim peguei as chaves. Não era uma boa ideia dirigir, mas sei que você é do tipo apressada (menos quando se arruma, mas isso não é algo que eu deveria reclamar porque você arrumada era duas vezes mais linda do que era normalmente, sendo que seu normal já era o mais lindo que eu já tinha visto), então resolvi correr. Os pneus cantavam em cada curva, mas aquilo era necessário. Tudo era pra te ver mais uma vez e assim poder te ver muitas outras mais.
Nunca tinha reparado, mas como você mora longe, meu Deus. Continuava acelerando, mas meus pés não tinham força suficiente. Minhas pernas ainda tremiam tomadas pela embriaguez. Pela estrada o trânsito estava tranquilo, só eu e toda aquela imensidão de asfalto. Mas de repente um carro veio na direção contrária e a luz do seu farol veio em direção ao meu rosto. No mesmo instante minha visão esbranqueceu e eu não tinha mais controle do veículo, era como se o meu corpo não respondesse aos meus comandos. Ouvi apenas uma longa derrapada e o barulho de lata batendo, amassando, retorcendo. Apaguei.
Minutos depois acordei com telefone tocando, mergulhado em um líquido vermelho que infelizmente não vinha do veículo. Fiz um pouco de força e atendi o telefone. "Vem cá, você não me ama? Você não quer mais ficar comigo? Já cansei de ouvir as suas desculpinhas, você tem que crescer, virar um homem que parece que você nunca vai ser, e..." sua fala irritada foi interrompida por um distante barulho de sirene. Surgiu um silêncio mórbido, pior do que o da nossa última conversa. Quando aquele som se aproximou e parou por perto de onde eu estava você voltou a falar. "Você tá bem? O que tá acontecendo? Ei, responde." Sua voz estremeceu. Era estranho como seu orgulho tinha sido jogado de lado agora, mas pra mim estava tudo bem. Aquela sua voz doce era a única coisa que eu queria ouvir. Sentindo o sangue na minha garganta eu apenas juntei meu último suspiro e te pedi mais uma vez, "Desculpa!"
Você que sempre reclamava por eu me desculpar demais, por lamentar mais do que devia, agora fica com um pedido desses como adeus, e dessa vez, é pra sempre. Desculpa.
8.8.13
Doce gargalhada
Pego o celular. Conecto os fones de ouvido e automaticamente o som começa a tocar. Desbloqueio a tela, aciono o modo aleatório e dou uma zapeada pela lista de reprodução. Procuro, procuro, mas ali nunca encontro o som da sua risada. Tenho uma biblioteca cheia, carregada de músicas boas, das minhas prediletas, mas aquela sua gargalhada doce, sempre acompanhada de um encantador e incomparável sorriso, era tudo o que eu queria ouvir agora. Nem solos de guitarra ou os refrões mais melódicos possíveis tiram o poder que aquela sua risada tem sobre mim. Era como entrar em êxtase profundo, como navegar em um mar calmo onde a maresia só trazia tranquilidade.
Acho que se eu fosse morrer amanhã apelaria pela sua presença. Não sei qual seria sua reação, confesso, mas sem mencionar o que se passava te pediria pra passar comigo aquelas duas dúzias de horas restantes como fazíamos antes, como vivíamos há algum tempo atrás. Te levaria pro programa que você escolhesse, shopping, restaurantes, clubes, até mesmo para a praia se você pedisse. Talvez te colocaria em um avião e viajaríamos pra longe, se essa fosse a sua vontade. Filmaria tudo, principalmente quando você achasse alguma situação engraçada e começasse a dar risada. Após essas horas juntos eu provavelmente te levaria pra casa, e como sempre falaria bem dos seus cabelos, aqueles longos cabelos louros, que eu sempre gostei. Os tiraria da frente do seu rosto e me despediria, pela última vez. Então poderia partir em paz, assistindo cada risada sua e sorrindo junto com elas secretamente. E você mesmo sem saber, teria feito meu último dia o mais feliz de todos que já havia vivido só por ter estado ao meu lado.
Acho que se eu fosse morrer amanhã apelaria pela sua presença. Não sei qual seria sua reação, confesso, mas sem mencionar o que se passava te pediria pra passar comigo aquelas duas dúzias de horas restantes como fazíamos antes, como vivíamos há algum tempo atrás. Te levaria pro programa que você escolhesse, shopping, restaurantes, clubes, até mesmo para a praia se você pedisse. Talvez te colocaria em um avião e viajaríamos pra longe, se essa fosse a sua vontade. Filmaria tudo, principalmente quando você achasse alguma situação engraçada e começasse a dar risada. Após essas horas juntos eu provavelmente te levaria pra casa, e como sempre falaria bem dos seus cabelos, aqueles longos cabelos louros, que eu sempre gostei. Os tiraria da frente do seu rosto e me despediria, pela última vez. Então poderia partir em paz, assistindo cada risada sua e sorrindo junto com elas secretamente. E você mesmo sem saber, teria feito meu último dia o mais feliz de todos que já havia vivido só por ter estado ao meu lado.
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