30.11.12

Sua marca

De alguma forma que eu não conseguiria entender como aquilo fluía. Como aquilo era tanto, não consigo explicar a intensidade. Talvez fosse a minha alma ali, todo o meu coração transparecendo; assim sem querer. Cada toque, cada toque no que parecia ser uma criação da minha mente. Porque coisas parecem impossíveis de existir, como algo pode ter tanto? Tanto a sentir, tanto a demonstrar. Ao me parece logico tudo isso ter vindo de algo assim; algo assim ter me virado dos avessos desse jeito. Mas veio, mas virou.
E lá estava eu, com todo o meu amor me sufocando, de uma maneira boa, de uma forma que talvez qualquer um conseguisse ver, só por estar por perto. Saia dos meus olhos, mesmo que eu os mantivesse fechados. Tudo saiu de mim, tudo saiu pra dar lugar a mais, mais disso que se escondia nas profundezas do meu ser.
E nesse momento, eu não soube, eu não percebi, eu não pude imaginar.
Nunca fui tão feliz quanto naquele momento, e talvez eu não vá ser, se é que eu posso chamar de felicidade, na verdade foi muito mais. Talvez não seja pra ser, talvez fosse único.
Mas, ah, aquele momentos. Aqueles toque na minha alma, no meu coração. Estão marcados aqui. Seu amor deixou várias marcas, que agora vivem escondidas nesse lugar que eu não consigo alcançar. E são as melhores lembranças que eu poderia ter.
Me ocorreu que tudo isso pode ser apenas minha imaginação deixando tudo na forma que me faz bem, afinal, isso já aconteceu antes. Sim, não  eu não sei. Isso já se elevou a um nível que eu não posso chegar. Está lá. Do mesmo jeito; nada será acrescentado. Sempre estará la, intacto. 

Eu preciso te esquecer


-Quando você não esperar vai doer e eu sei como vai doer e vai passar como passou por mim e fazer com que se sinta assim, como eu sinto.
-Como eu vejo como eu vivo como eu não canso de tentar eu sei que vai ouvir, eu sei que vai lembrar, vai rezar pra esquecer, vai pedir pra esquecer, mas eu não vou deixar, eu não vou deixar.
-Porque você insiste em dizer que ainda existe vida sem você?
-Eu vou te esquecer, eu vou te esquecer.
Milonga - Fresno

27.11.12

Immer

Talvez isso soe bobo, mas eu não me importo; não com isso.
Vivo apenas aguardando que tu estejas ao meu lado.
Todos os meus sonhos agora vivem dentro de ti, como se tu fosses uma guardiã; tu és muito mais. Tu és o sonho.
Aguardo dia após dias, fazendo uma contagem regressiva sem sentido, não sabemos quanto tempo levará para que isso de certo, mas de alguma forma eu conto os dias. Conto os dias pra fazer com que tu sintas que és especial, sintas o amor que tenho por ti, e receba todo o carinho que eu tenho guardado pra ti.
Quero te abracar pra nós vermos teus filmes preferidos; receber beijo na bochecha antes que saias; fungar no teu pescoço; esperar impaciente que faça algo para ter tua atenção; dizer que te amo e ver teu sorriso; ser o motivo do teu sorriso; não deixar que ninguém te magoe; ser teu ombro amigo quando precisar; viajar contigo; viver contigo...
Pode ser que não aconteça como planejamos; os detalhes. Mas o importante é inevitável. O amor é inevitável. Nada vai me impedir de te abraçar apertado pelo tempo que for. Nada vai me impedir de te amar.

26.11.12

Queria que fosse

          Queria que fosse eu te pedindo pra parar de fazer cócegas em mim. Queria que fosse eu te chamando pra ver o comercial que você gosta. Queria que fosse eu sujando o seu nariz de chocolate. Queria que fosse eu de mãos dadas com você quando estivesse com medo do filme. Queria que fosse eu pagando o seu sorvete. Queria que fosse eu falando que a cor dos seus olhos é incrível. Queria que fosse eu te levando pra viajar pelo azul do céu. Queria que fosse eu que te levasse pra escola. Queria que fosse eu quem você chamava de bobo e idiota. Queria que fosse eu que você abraçasse quando passasse no vestibular. Queria que fosse meu nome que você colocava nos modelos de convites de casamento. Queria que fosse as nossas conversas as que você não conseguia esquecer. Queria que fosse eu que tivesse a obrigação de te fazer sorrir. Queria que fosse eu te ensinando a jogar vídeo-game. Queria que fosse eu te vendo fechar os olhos exausta todas as noites. Queria que fosse eu sendo acordado pelo seu toque sensível. Queria que fosse eu que seus pais se orgulhavam em ter como genro. Queria que fosse eu morando com você. Queria que fosse eu nos seus planos. Queria que fosse nós.

22.11.12

Alguma coisa velha

- Já se arrumou? – Julia entrou no quarto enrolada em uma toalha após um banho demorado.
- Não quero mais sair – A outra mulher disse, com o olhar fixo no travesseiro ao seu lado. Estava ali a algum tempo sem se mexer e nem dizer nada.
  Julia se deitou ao seu lado, fazendo com que ela a olhasse, já que agora sua cabeça descansava no travesseiro. As duas se olharam por um tempo, um olhar gentil e preocupada e outro que parecia estar muito distante. Julia sorriu e a outra suspirou e afundou o rosto do travesseiro.
- O que você tem, Luísa? – Julia perguntou, preocupada.
  Luísa parecia estar tremendo. Julia a puxou para si sem nenhum esforço, Luísa afundou o rosto na curva do pescoço dela e a abraçou, isso fazia ela se sentir protegida. Seu corpo tremia mais ainda enquanto recebia carinho.
- Você sabe que eu não gosto... – começou a dizer com a voz rouca e enrolada pelas lagrimas. Julia sabia que ela odiava quando queria chorar e alguém lhe fizesse um carinho, isso a fazia chorar mesmo, e a ideia de alguém a ver chorar era insuportável.
- Pode chorar, flor – Disse, ainda fazendo carinho. – eu vou ficar aqui.
  E foi até ai que ela conseguiu se conter. As lagrimas foram saindo uma atrás da outra, até que seus soluços enxeram o quarto. Ela se abraçavam apertado enquanto Luísa dizia coisas sem sentido até não conseguir mais formular as palavras e apenas deixava a dor tomar conta e as lagrimas caírem. Ficaram assim até que aquilo parou.
- Pronto, pronto – Julia disse afagando suas bochechas – tá melhor? 
- Não – respondeu, a voz falhando. Estava com a sensação de que sua garganta iria fechar. Se afastou e puxou o edredom até o pescoço, o olhar fixo no teto. As lagrimas caim pelo seu rosto novamente.
- Conversa comigo, me deixa te ajudar - ela pediu.
- Ninguém entende, ninguém ajuda, e eu tô tão cansada.
  Sentou-se na cama, respirou fundo, tentando fazer sua respiração voltar ao normal. Sem dizer mais nada levantou-se, foi até o banheiro, pegou dinheiro e as chaves e saiu. Deixando toda a dor ecoar no apartamento silencioso.



(Apenas um texto que eu achei e devo ter escrito em 2008/2009, mudei o nome dos personagens e resolvi postar)

19.11.12

Redenção

  Todas as palavras que eu pensei em escrever se perderam aqui dentro de mim enquanto lia palavras que eu não lembrava mais. Não sei de onde veio essa nostalgia que me fez procurar suas mensagens, procurar lembranças boas, mas não foi só isso que eu achei. Talvez eu tenha encontrado mais dor do que felicidade. Não me lembrava mais das suas palavras, das minhas atitudes e nem do nosso amor, pelo menos não aquele antigo amor, só me lembro desse amor que eu sinto agora, essa vontade de te ter por perto e te ver feliz. E como você merece essa felicidade, né?
  Não me lembrava dos detalhes que agora estão me corroendo; culpa, arrependimento. Percebi que não te dei o amor, carinho e atenção que você merecia, e que nada que eu tenha pra falar sobre isso iria servir de justificativa, mas eu também não tenho nada pra falar, o que eu deveria dizer? Que eu era jovem ainda? Mais uma vez minhas desculpas e minha culpa estão entaladas aqui na minha garganta, tornando difícil respirar. Já senti isso, essa vontade incontrolável de ir atrás de você e pedir desculpas e te ajudar no que for. Imagino se eu ia eu vou olhar nos seus olhos - seus olhos que já derramaram muitas lagrimas por mim - e te pedir desculpas por todos meus erros e minha ausência. Por todas as vezes que você se sentiu sozinha, não teve com quem conversar e quem te apoiasse.
  De repente num final de tarde eu vi todos meus erros e não consigo mais lembrar das coisas boas. Talvez elas existissem só na minha cabeça, ou foram boas só pra mim. Não entendo como você foi se apaixonar por mim, me amar tanto, não sei como eu signifiquei tanto pra você, desse jeito bom que você diz ter sido.
  Eu só preciso da minha chance de pedir desculpas.

18.11.12

3:17 AM

Ela mexeu seus braços por toda a cama, até escorregar a mão pra debaixo do travesseiro e pegar o celular, viu que ainda faltavam três horas até ter que levantar e ir trabalhar. Devolveu o celular ao seu lugar e virou para o lado. Alguns minutos se passaram e ela não havia dormido. Decidiu levantar e comer algo. Colocou um par de meias; odiava andar de chinelo ou descalça, mas também odiava dormir de meias.
Passou pelo corredor escuro, ate chegar à cozinha, acendeu a luz e pegou um danete de chocolate na geladeira, e que ela não deveria estar comendo, mas afinal já era o último mesmo.
Estava voltando para o quarto quando percebeu a porta do quarto ao lado aberta. Passou direto e foi ate a sala, ao acender a luz pode ver uma menina deitada no sofá encolhida com os olhos bem fechados, as mãos na cabeça como se a impedisse se ouvir algo, e seus lábios se mexiam sem emitir som.
Se aproximou devagar da menina, se ajoelhou na sua frente e colocou a mão delicadamente em cima da mão da menina, afastou sua mão de sua cabeça.
- Lu, eu to aqui, sou eu.. eu to aqui.
Suas mãos estavam geladas e ela tremia, ainda com os olhos bem fechados.
- To com medo.
- Porque não me chamou? eu sempre to aqui pra você. - segurou a mão dela entre as suas. Seus olhos permaneciam fechados e pareciam ser pressionados com mais força. - vem, vou te levar pro quarto.
Ela a ajudou a levantar e a abraçou, conduzindo com cuidado até o quarto. Sabia que Luísa não abriria os olhos. Ajudou ela a se deitar na cama e se deitou ao seu lado, cobrindo-as com o lençol. Luísa tocou o rosto de Cecília ainda com a mão tremula.
- Sou eu - Cecília se aproximou mais, sentiu a respiração dela em seu rosto.
De repente Cecília ouviu um leve murmúrio, e aquilo soou como algo indescritivelmente doloroso, mas resolveu não dizer mais nada, apenas segurou sua mão. Até que resolveu cantar a musica que ela mais gostava, aquela que elas cantavam juntas quando pequenas, que sempre arrancava um sorriso de Luísa. Assim que ela cantou os primeiros versos Luísa começou a chorar, um choro pesado, que parecia estar contido há muito tempo. Cecília cantou mais alguns versos mas sua voz foi morrendo. E o choro de Luísa parecia se tornar mais doloroso, como se nada fosse aliviar sua dor. Cecília a abraçou enquanto o som de sua dor preenchia o quarto.

17.11.12

Um lençol ou coisa assim

         E você era assim, simples como um lençol, mas complexa como um cobertor. Me esquentava na medida certa, me protegia de todo o resto do mundo, me defendia de qualquer monstro ou aberração, me abraçava, se envolvia em mim e dizia as últimas palavras antes de dormir. Em seus braços eu me sentia em casa, talvez algo a mais do que isso. Você era como uma fortaleza pra mim, mas contigo eu não era apenas um menino atrás de abrigo. Por você eu estava disposto a atravessar mares em fúria, desertos em meio a tempestades de areia, céus trovejantes, ou até mesmo o mundo inteiro durante o apogeu de um apocalipse.
          Você era da minha cor predileta, da textura mais suave e do toque mais sensível. Era a minha primeira opção, era a minha preferida. Eu nunca ousaria esquecer de quantas noites dormi bem com você, de quantos dias acordei bem disposto por sua causa, ou das vezes que precisei pensar e senti você comigo, distante mas ao mesmo tempo presente. Você era da marca mais cara, do tecido mais durável. Quanto mais o tempo passava (e passa) você continuava a se tornar melhor e mais aconchegante. Talvez o que você é seja algo eterno, como um ciclo da água ou algo assim.
          Mas dói saber que agora quem usufrui da sua magnitude e perfeição não sou eu. Dói saber que talvez eu nunca descubra, ou te sinta outra vez. Dói saber que eu perdi o lençol que eu mais gostava e que nunca encontrarei outro igual.

15.11.12

Dimensão

          Quando eu ouço suas bandas, alguma coisa acontece, não sei explicar. Talvez seja o jeito de cantar, me leva pra um outro lugar, sabe, como se fosse uma atmosfera própria onde só tem eu, e tudo que eu penso, dividido por paredes e portas, vários cômodos, um com cada lembrança, e eu vou caminhando por esse lugar, abrindo as portas, revivendo cada uma delas, mas sempre alguma coisa me puxa pra fora me forçando a ir pra próxima recordação, e até lá, isso me leva novamente pra longe de você.

13.11.12

Tantas coisas

  Eu poderia escrever sobre você todo dia, por um bom tempo - estou evitando usar a expressão para sempre. Sou muito nostálgica e lembro de coisas pequenas facilmente. E as pequenas coisas são as minhas preferidas. Como hoje, eu estava andando pela cidade e me lembrei de uma vez que passei ali com você, talvez ate a primeira vez que passei por aquela rua, lembro de você dizer que costumava fumar ali, e de como eu me senti perdida por não saber onde estava, e poucos minutos depois começou a chover. E agora eu estava passando por ali normalmente, só mais um lugar, sem precisar nem prestar atenção, habito.    
  Percebi que vou continuar lembrando e pensando nessas coisas, que vai haver nostalgia em todos os lugares; lugares e coisas que eu posso evitar e também os que não posso evitar. E que vai ser indiferente, vai ser bom, ou vai ser ruim. Não consigo evitar pensar, de lembrar. Vão haver coisas em todo lugar pra me fazer lembrar de você, mas eu não preciso escrever sobre você sempre, afinal, tantas outras coisas e pessoas passam pela minha cabeça. Tantas coisas me deixam triste e feliz. Vou me aprofundar em outras coisas, descobrir novas analogias para os meus sentimentos e te deixar em paz, pelo menos por agora.

11.11.12

Valeu a pena?

  Incrível como você resolveu morar na minha mente, e se tornou uma esquizofrenia inconveniente. Você é a primeira coisa que penso ao acordar, e ao longo do dia tudo me remete a você. As coisas mais aleatórias e sem sentido; como a chuva, meu tênis sujo, aquele carro com 4 portas, um menino sendo puxado pelo namorado. Eu não sei porque mas tudo isso me remete a você. Uma coisa cruel na minha mente que insiste em me mostrar você. Nem sempre é tão ruim, mas eu gostaria tanto de saber como é não pensar em você todo segundo. Mas tem uma parte ruim sim, que é a sua voz dentro de mim, sua voz censurando cada atitude e pensamento meu, sua voz me lembrando as coisas que eu prometi. Quem te deu o direito de falar alguma coisa sobre promessas? E eu grito com você, digo coisas ruins, e você chora e eu me sinto uma merda. E essa é a parte que eu preciso sentar e chorar, e segurar minha cabeça enquanto peço pra você sair. Porque você não sai? E nessas horas eu não sei o que fazer, tenho uma vontade absurda de te mandar uma mensagem e pedir desculpas, ou perguntar o porque, mas eu já pedi desculpas milhares de vezes e eu conheço muito bem as respostas dos porquês, e não há nada que eu possa fazer quanto a isso. 
  Sinto que tudo isso foi culpa minha, o primeiro erro foi meu. Mas gostaria que você tivesse desistido no primeiro ou no segundo erro, talvez não doesse tanto quanto dói agora. Eu sempre tive essa esperança interminável que tudo fosse se ajeitar e dar certo algum dia, e agora só consigo pensar o quão iludida eu estava por ser otimista assim. Como eu pude ser tão tola de acreditar que as coisas são pra sempre? Acredito que o amor seja pra sempre, pelo menos o meu será pra sempre. Mas isso não faz com que a relação de certo, e eu já vi o suficiente pra não acreditar nisso. Mas eu queria, acreditava e faria ser pra sempre, eu queria ficar com você pra sempre, de todas as coisas que eu disse essa foi a mais sincera. E por isso eu acreditei, e de novo, e mais uma vez... E uma ultima. Essa foi a ultima. Porque existe um limite de quantas vezes meu coração podia ser partido, e agora não sobrou nada. Apenas um nada inconsequente que eu não sei controlar, um monte de lembranças me corroendo, duvidas sem fim, e uma depressão ainda pior. Então você pode apenas me dizer que está bem e não chora mais a noite? Eu preciso saber que isso valeu a pena.

Gostar

          Por onde você anda? Você está bem? Como vai? Precisa de mim? Você ainda se lembra de algo? São tantas perguntas que eu guardo pra você, tantos porquês ou explicações que eu preciso, tantos momentos que ainda estão em falta de definições na minha mente. Será que você ainda olha pro que me envolve com aqueles mesmo olhos? Às vezes eu quero que sim, mas em outras já desejo perdidamente que não.
          Acho que gostar de alguém é se importar em fazer a pessoa feliz e tudo o que for necessário pra tê-la nos braços. Mas, será que ver que você está bem e evitar estragar a sua felicidade me faz gostar menos de você? Ou será que isso me faz estar a alguns passos acima do que eu defino como gostar? Eu ainda não sei. Não sei aonde se enquadra minhas noites sem dormir lembrando de como você ria, do jeito como falava, das piadas que contava e até mesmo de como disfarçava os olhares. Não sei aonde ficaram minhas lágrimas lembrando que alguém já tinha a responsabilidade de te fazer feliz. E ainda não sei se lutar por você era algo que eu devia ter feito.
          A verdade é que você reside em mim como uma chama acesa, talvez como um incêndio interminável. A verdade é que eu não consigo aceitar você com outra pessoa, mas também não consigo interferir em sequer uma atitude sua. A verdade é que eu me importo em ser feliz com você, como nunca alguém se importou ou vai se importar um dia. Mas, feliz ou infelizmente, cabe a você responder, eu me importo mais com a sua felicidade do que com a minha. Que eu chore por mais noites, que eu lamente por mais meses, mas que você sorria por pelo menos mais um dia. Pra mim, essa vai ser uma troca justa.

10.11.12

Esquisito

Percebi que não vou estar com você. Que todas aquelas coisas que eu só imaginei fazer com você nunca vão acontecer, que o que eu pensei que seria só meu e seu não vai ser, que todas as coisas que eu desejei foram perdidas por aí, como uma magica que te apagou de todas minhas futuras lembranças, agora sou só eu. E isso me deixa esquisita, com um sentimento esquisito. Uma lagrima estranha escorrendo lentamente. Todos meus sonhos viraram estrelas; morreram a um tempo mas ainda posso ver sua luz. Morreram porque o sonho é diferente se algo muda, e você se foi de todos eles. Pra onde vão esses sonhos sem sentido agora? O que eu faço com esse sentimento esquisito? A questão é que não existira mais um nós, apenas um você e um espaço destinado a outra pessoa; e eu, e um espaço que eu não pretendo preencher com uma pessoa. O sentimentos já esta passando, tudo anda passando rápido, poucos minutos, menos de meia duzia de lagrimas, nenhuma dor ou sofrimento. Mas a luz esta la e é esquisito vê-la. Quanto tempo leva, depois que a estrela morre, para o luz também sumir?

7.11.12

Não precisa ser assim

Estava pensando com meus botoes e percebi que não entendo porque relacionamentos acabam. Em uma manhã qualquer, o marido resolve se separar da mulher que tem alguma mania estranha pra ficar com outra mulher que não tenha essa mania, mas que tem outras. Deixa a mulher que o ama mesmo com todos os seus defeitos por alguma mais bonita, ou 'mais' qualquer outra coisa. Acho que as pessoas que gostam de coisas novas, pessoas novas; novas manias, novos gostos, nova aparência; nova história. Gostam de descobrir algo novo, viver algo novo. Ter novos lugares preferidos; novas musicas; novos momentos; novas chances. Colecionar novos amores. É, talvez seja isso. Talvez seja sobre querer todo o amor que puder conseguir. Talvez seja isso, mas eu ainda não vejo o sentido nisso. Não sei como as coisas chegam ao ponto de incomodar tanto, que as pessoas começam a se machucar com isso, que uma coisa pequena se torna uma arma. Sei que estou cansada de ficar aqui assistindo todos desistirem sem tentar, se machucarem, se perderem. Queria dizer que tudo bem se não dá mais, mas não precisa ser assim, não precisa ser um campo de batalha. Não precisa haver tanto sangue, tanta destruição. Não precisa haver mais do que um pouco de lagrimas. Entretanto tem muito orgulho e ódio no meio disso... Sei lá, minha esperança nas pessoas só tem diminuído mais e mais, tudo faz menos sentido a cada dia. Não que alguém tenha dito que faria sentido; eu só não gosto de não entender e me frustrar assim.

Suas músicas

          Hoje eu acordei com uma sensação de que alguma coisa em mim estava querendo sair. Mas de alguma forma, eu sempre prefiro que isso continue aqui dentro, como se fosse algo essencial pra que meu coração continuasse batendo, mesmo me causando dor e um pouco de lástima.
          Às vezes me pego ouvindo as suas músicas, e me lembro de quando você dizia que elas eram boas. Engraçado como só isso me remete tanto a você. Engraçado como tudo o que eu penso passa a ser você em pouco tempo. Acho que na verdade, tudo o que eu penso continua sendo você, mesmo com tudo o que aconteceu. É, aquele seu sorriso bobo quando ouvia uma frase de efeito, ou quando alguma bobeira te fazia rir, foi, e continua sendo, a melhor recordação sua pra mim. Esse seu sorriso talvez tenha se tornado uma obsessão, mas nunca daquelas doentias, só uma terrível vontade de passar a ser o motivo dele.
          Mas, a história continua a mesma, e aqui estamos, eu de longe te olhando, e torcendo para que você não olhe pra mim nessas horas. Ali, a alguns metros, torcendo pra você sorrir e me fazer lembrar do quão lindo é o seu sorriso. Eu ali, sempre do seu lado, mesmo você não sabendo disso. Eu aqui, sempre te amando em segredo. Um segredo tal qual nunca foi difícil de decifrar, acredito que até mesmo por você.

5.11.12

Estou desistindo

Ah, como foi humilhante ver a expressão dos meus colegas, minha professora e funcionários ao me verem chorar. Humilhante ter o coração partido mais uma vez. Ultima vez. Preferia estar sozinha em casa a estar trancada em algum box do banheiro; chorando todas as lagrimas que tinha, as que não achei que ainda existissem. Até alguém vir assoviando, pedir pra entrar e me fazer falar, falei tudo que estava preso aqui dentro, tudo de ruim que iria me consumir. Ouvi que estava tudo bem em chorar. E ai eu melhorei, passou, sem mais lagrimas, sem mutilar minha alma, sem ódio.
Chorar, mutilar minha alma; sei que isso sempre foi parte de mim que ainda não sei como deixar. Mas não deixarei que isso me impeça. Não criarei limites para procurar o que me faça bem, mesmo que tenha seus lados negativos. Ah, queria mesmo é desistir de tudo, mas não posso. Não posso ser um peso e uma decepção pra minha família, não posso deixar minha pessoa sozinha. Mesmo que cada segundo agora seja ruim. Porque estar sozinha é torturante, ou melhor, se sentir sozinha, se sentir um nada no mundo, a ultima opção, sentir que nada faz sentido e achar que um dia olharei pra trás e só o que conseguirei pensar é que deveria ter desistido de mim mais cedo.
Pois bem, estou desistindo de mim agora; pelo menos de uma parte de mim. Acho que não vou sentir falta.

(Esse é um discurso que faço a mim mesma agora que não estou triste, que não estou nada, que estou em um universo paralelo que ninguém conseguiu entrar e ficar, só passar. Talvez eu chore a noite, chore até não ter mais um pedacinho do meu travesseiro que não esteja molhado. Até eu tremer e não me aguentar. Até que eu tenha vontade de sair pela porta da frente e não voltar. Até os soluços me doerem. Até que eu durma. Talvez sim, talvez não. Mas o que importa é desistir de verdade e não voltar atrás, pois já não acredito que vá valer a pena.)

2.11.12

Porque não?

Eu consigo imaginar todos os meus amigos realizando seus sonhos, sendo felizes, fazendo a vida valer a pena. Imaginar o amor da minha vida realizando seus sonhos, sendo feliz, tendo uma ótima vida... sem mim. Consigo me imaginar presa nesse lugar por mais tempo, jogando o tempo fora, sem nem ao menos saber o porque. Imagino também as coisas boas, todos meus sonhos bons, mas as vezes é difícil imaginar que eles serão algo além de sonhos, difícil imaginar que os sonhos bons iram se tornar realidade quando os ruins tem chances muito maiores. Não quero ter uma vida decepcionante; sei que nada é perfeito, nada é do jeito que queremos, que muita gente - talvez todo mundo - tem algo decepcionante. Mas eu não quero isso, não quero arrependimentos, não quero viver esperando por algo surpreendente e que não vai acontecer, não quero forçar coisas que eu sei que não vão chegar nem perto do que eu quero. Eu quero sempre tudo, tudo que é instável, tudo que eu não posso ter, tudo que machuca, tudo que tiram de mim, tudo que pode até se tornar ruim, mas quando é bom... Ah, vale tanto a pena. Não quero as duvidas, mas existe aquele sussurro na tempestade, aquele som que sei que é maravilhoso mesmo sem ouvi-lo, que está, esteve e estará sempre lá, só preciso sobreviver a tempestade. Talvez não sobreviva, talvez não dê tempo, talvez me atole no caminho. Mas está lá, esperamos por mim então... Porque não?