24.10.12

"Esquecível.."

Ser ou não ser? Eis a questão,
um labirinto de dúvidas, de sim ou de não,
respostas esmaecidas nessa imensidão,
dentro de tudo que eu chamei de coração.

Ter que escolher é duro de mais,
ver você passar e não poder olhar pra trás,
escutar os seus passos e ainda não ser capaz,
de dizer que eu te quero ou algo mais.

A incerteza é o que não me deixa mais dormir,
cada uma dessas noites sonhando contigo aqui,
acordado sabendo que você está por aí,
mas nada que eu faço é bom o suficiente pra ti.

Longe demais, distante, impossível,
algo repentino, sem sentido, imprevisível,
de natureza ocupada, sem chance, indisponível,
só mais um qualquer, tanto faz, "esquecível"..

21.10.12

"A cabeça da gente é um inferno"

Tem dias que são um inferno. Dias que minha cabeça é meu inferno. Dias que esperar ações ou palavras gentis de mim é uma perda de tempo.  Quando eu não consigo ficar quieta fazendo algo sem que a vontade de fazer algo ruim venha me perturbar, fico andando de um lado pro outro, sem sentido, apenas não fazendo nada ruim, porque eu te prometi isso. Consigo deitar e ficar quieta, tento me convencer que não tem problema meu coração estar doendo, ou sentir que minha garganta vai fechar, me convenço que tudo isso está só na minha cabeça. Mas tem tanta coisa na minha cabeça, porque só as ruins tem que aparecer agora? Começo a implicar com reflexos, simplesmente não gosto de olhar nada que tenha reflexo. Fica tão fácil imaginar você, você me olhando com medo, medo de mim. Percebo que é muito pior ver meu próprio medo em outra pessoa. Tenho medo de ficar sozinha mas também tenho medo de não ficar apenas por sentirem pena de mim. Tenho tanto medo. Não quero me tornar algo que te envergonhe, que te machuque. Ironicamente já faço isso com todo mundo, mas com você não, por favor, não você. Espero por uma mensagem que nunca chega, uma mensagem que vai afastar tudo isso de ruim. É quando todo o medo vai embora eu consigo ser algo bom, eu consigo não me sentir daquele jeito, eu consigo não imaginar o medo em você, nem em mim. 

16.10.12

Copo vazio

Tem um vazio dentro de mim. Tento constantemente ocupa-lo, mas parece que estou colocando aguá em um copo furado, bem... Pelo menos ele se enche por algum tempo. É como aquela gaveta sobrando da comoda, que aproveitamos pra colocar tudo que restou lá... talvez essa não seja a melhor forma de imaginar...
Eu me sinto melhor quando alguém está por perto. As coisas são melhores quando há alguém por perto. O problema é que qualquer um não serve. Alguns só enchem metade do copo, alguns mantém o copo sempre cheio quando estão por perto mas não podem ficar muito tempo, e ai o copo se esvazia. E tem uma pessoa, só uma pessoa, que tapa o buraco e de alguma forma, ele se enche. E transborda. Mas - porque tem sempre que existir um 'mas' depois de algo bom - não é tão simples assim.
Enquanto as coisas não são simples eu encho o copo com uma bebida qualquer.

7.10.12

Espaço

          Às vezes me pergunto por que eu gosto tanto do espaço, do universo, e de tudo que há nele. Tantas estrelas, tantos planetas, tantas cores e brilhos. É como se fosse mais do que apenas um infinito lugar vago. Parece que tudo o que há por meio a cada luzinha daquelas é uma nova descoberta a se fazer. Parece que tudo aquilo que nos encanta sem nem conseguirmos explicar o porque são coisas que nunca serão explicadas.
          Talvez eu me sinta assim, como essa imagem complexa e sem sentido. Talvez eu seja um imenso lugar vago, com cores e brilhos, mas com muito espaço entre cada um desses pontinhos. Talvez eu fique ali, esperando alguém se encantar comigo ou mesmo me explicar, e descobrir que também existe algo bom em mim. Tão inexplicável quanto um big bang, tão complexo como a criação. Tão admirável quanto o brilho de uma estrela, mas tão incompreensível como o infinito. Talvez eu seja mesmo assim, sem sentido, sem explicação, sem motivo, origem ou razão, com várias estrelas mortas, mas com muito o que mostrar.. Mas ninguém consegue ver se não olhar com duas doses de carinho e um pouco de atenção. E infelizmente, poucos são os dispostos a fazer tal coisa, talvez por falta de vontade, talvez por medo do que vão encontrar por lá.

6.10.12

Futuro

          Futuro, algo tão relativo... Tão incerto... Tão imprevisível... E por mais que todos saibam disso, insistem em acreditar, insistem em tentar ser otimistas com a esperança de que algo vai dar certo. Às vezes parece loucura, acreditar no que mal se pode ver ou esperar alguma coisa que venha com o vento, mas às vezes também é a única saída. Lembro que diziam que amanhã é um novo dia, que as coisas vão estar melhores e que lá tinha algo guardado pra mim. É, mas o amanhã faz parte do futuro, e por mais difícil que seja aceitar, nem sempre o futuro costuma ser bom com a gente, e se não for com todo mundo, pelo menos não é comigo.
          Será que deixar de acreditar é uma saída? Será que esperar as coisas acontecerem é uma boa opção? O problema é que essa decisão não é forte o suficiente pra atravessar uma oportunidade ou uma brecha. E no final? É, o final continua sempre o mesmo, sozinho, vazio, frio e sem esperança. Ter esperança parece algo difícil de mais pra mim, às vezes algo impossível, tão impossível quanto a felicidade de um passarinho que engaiolado perdeu sua liberdade. Sinto que nada vai mudar, sinto que tudo vai continuar a mesma coisa. Sinto que depois de amanhã, o meu ontem só vai incrementar o meu passado carregado de lágrimas e fracassos. E o que isso significa? Nada, só que nada nunca vai mudar.

4.10.12

Sonhos, desejos, palavras e verdades

          Uma quarta-feira qualquer. O dia começa cedo. Acordo com fortes batidas na porta. Abro meus olhos e é como se não visse nada. É, parece que o espírito de solidão já cega minha alma logo cedo. Um banho quente lava o suor dos meus pesadelos. Arrumo minhas coisas e saio de casa. Tento me animar com algo de bom astral, mas isso é em vão. Chego na escola e o desejo de isolamento me domina. Fico no meu canto sem incomodar ninguém, até que uma repentina troca de lugares muda tudo. Sim, eu fui pra lá, fui pra bem perto daquela que rouba os sorrisos de onde o meu ódio protege. Enquanto tudo e todos estão distantes, ela se destaca sobre mim como aquela estrela que se apressa em aparecer no céu, mas não tem pressa alguma de deixá-lo. É, ela faz meus olhos brilharem.. Mas brilharem por quê?
          Nessas horas o tempo dá passos curtos e as horas passam de um jeito diferente, pelo menos pra mim. Ela e o seu jeito confiante de ser me cativam, cativam o meu olhar me fazendo escravo de um sentimento que eu não consigo mais entender. A distância me deixa triste, as lembranças enchem meus olhos e a dor derrama minhas lágrimas. Mas a presença me anima, a voz  me contenta e um olhar me faz sorrir. É estranho quando a mesma pessoa que te faz chorar, é a mesma que te faz rir atoa. Sonhar com tudo perfeito virou rotina. Perceber que nada é perfeito é apenas mais um constante pesadelo da realidade. Mas, sonhar é o que mantém a minha fé, ou pelo menos mantinha até que algo surgiu acabando com tudo. Na verdade, esse algo tinha o trabalho de acabar com tudo, mas infelizmente, não fez esse trabalho direito.

Vermelho.


  A casa estava silenciosa, até que uma criança entrou correndo pela porta da frente. Ela entrou em todos os cômodos, e saia de cada um com algum brinquedo. Entrou como um furacão no ultimo cômodo, empurrou a porta com força, e essa bateu na parede fazendo barulho. Abriu o armário, arrastou uma cadeira para perto e procurou por algo lá dentro. Saltou da cadeira com uma peruca vermelha, laranja e amarela. Abriu a primeira gaveta da cômoda e tirou de lá uma pequena esfera branca e vermelha. Abriu a segunda gaveta.
  A menina perdeu o animo ao olhar para o conteúdo da gaveta. Olhou para os dois lados, verificando se alguém estava a observando. Respirou fundo e pegou a pistola. Era pesada e muito grande para suas mãozinhas. A menina virou e revirou a arma, suas mãos tremiam. As balas estavam na gaveta.
Escutou o barulho do portão da frente. Guardou a arma rapidamente, colocando do mesmo jeito que havia achado e fechou a gaveta. Logo um sorriso surgiu em seu rosto e o furacão saiu do quarto.

  Um homem abriu a porta no quarto e deu um grito, terror estampava seu rosto. Ele correu até a menina e se ajoelhou ao lado de seu corpo. Era aquela menininha, mas ela havia crescido, passaram-se muitos anos após aquele dia. Mas era a mesma menininha.
  Não havia mais aquela paixão dentro dela, não havia mais aquele sorriso bobo, e seus olhos não transpareciam felicidade. Ali tinha terminado todo seu sofrimento. Só restou um corpo frio, lábios roxos e um olhar fixo no nada. Sua cor favorita que sujou suas roupas, suas mãos. E caída do seu lado, próximo a sua mão estava a arma. A menininha feliz se perdeu em algum lugar ao longo do caminho e essa menina não aguentava mais ser forte.

1.10.12

Caos

  Queria escrever aqui algo intenso, algo que me explicasse. O problema é que eu sou difícil, vivo me contrariando, mas apesar disso, todos os meus lados são sinceros.  Eu podia explicar um pouquinho, só o superficial, mas só o superficial seria como um crime, e mais que isso seria muito para simples palavras. Muito para uma menininha organizar. Mas ainda preciso me livrar de alguma coisa, então vou tentar. 
  Tenho medo que os pedacinhos de mim que consegui juntar se separem, eu não quero sentir tudo aquilo de novo; sinceramente, não tenho fé de que eu aguentaria.  Faltam muitos pedaços ainda, e os que eu consegui de volta não se encaixam ou estão se desfazendo nas extremidades. De uma coisa eu sei: nada mais será como era antes, mesmo que eu consiga todos os pedacinhos de volta. Não sei como era quando eu não tinha nenhum, mas lembro-me o suficiente para saber que não posso passar por isso de novo. Porque não posso? Porque tenho medo desse desconhecido. Medo de perder tudo de novo e me tornar tudo que eu nunca quis ser, ou de me cansar, realmente me cansar.
  Mas eu não posso desistir. Não venha me dizer que eu posso. Eu não posso e eu entendo que você não entenda. Preciso disso pra conseguir paz.  Ok, isso ficou muito confuso. Eu também não gosto da minha mente, ou Caos, se você preferir. Já estou começando a perder o foco dos pensamentos. Eu só não posso desistir. É tudo, nada ou nada (sim, acabei de falar sobre eles).
  Algo em mim (ainda não encontrei nome para isso) gosta de me torturar. Estou no meio de uma aula de história que esta ótima, mas preciso escrever isso, de alguma forma me alivia sem que eu precise chorar. Estou com a cabeça deitada no braço... Sinto o perfume dela. Eu sei, eu sei... Impossível. Mas eu sinto, e continuo com o rosto no braço. A minha loucura tenta me consolar.