5.7.14

Banco de dados

          05 de julho. Alguns meses após deixar o hábito de escrever, senti a necessidade de compartilhar algo. Há meses venho me dedicando a outros planos, outros objetivos. Pensei em talvez deixar que meu coração respirasse, tomasse um ar puro e refizesse a força para seguir em frente. Claro que para alguém tão sentimental recaídas são inevitáveis, assim como um alcoólatra caminhando por uma adega, meus batimentos tentam sintonizar os de outro alguém inconscientemente. Me vejo como alguém facilmente conquistável, mas tento me fazer acreditar que isso não passa de uma característica superficial de minha personalidade, e que meu real ser é frio, sem margens para outra decepção.
          Sem mais delongas, cheguei à conclusão de que o coração tem um certo "banco de dados". É engraçado como quando gostamos de alguém, mas gostamos de verdade, não importa o tempo que passe, equivocadamente pensamos ter esquecido a tal pessoa. Esquecemos até o momento em que ela ressurge. É como a fênix, mas nem sempre assume outra forma. O sentimento apenas renasce, sem pedir permissão ou ao menos dar tempo para pensarmos.
          Eu nem digo que é amor, porque não me arrisco a falar que sei o que essa palavra significa. Mas é algo forte, uma admiração intensa, um desejo involuntário, uma sede insaciável. É deitar pensando na tal garota, fechar os olhos e pensar: "ah! se você estivesse aqui." É ver o céu com outra cor e achar que todas as flores possuem o cheiro dela. É olhar pra cada rosto e pensar: "ah! se fosse ela." É perceber cada sorriso já pensando: "ah! se fosse o dela."
          Mas o complexo da minha vida possui o mesmo nome deste blog pelo qual lhes escrevo. Sinto, às vezes, que estou fadado a um ciclo irrecíproco. Sinto que nada nunca terá o mesmo valor para as duas partes. Se tudo que vai, volta, cadê a minha parte? Se todo o bem plantado, será colhido, cadê a minha árvore? Se todo amor dado, é enviado de volta, por que não mereço ser amado?