Me sinto preso a um tipo de prisão sentimental. Na verdade isso tá mais pra quarto do pânico, sabe, aquele com paredes de aço onde nada entra e nem sai? Então, mas é melhor assim. Por mais que doa, por mais que eu sinta, ficar longe de tudo e de todos e consequentemente de você parece ser a única alternativa viável. É um consolo não precisar te ver ou ouvir falar de você e assim acabar lembrando de tudo que eu sempre tento esquecer e que temporariamente, de fato, acredito ter esquecido. Claro que não completamente, pois esse é mais um texto sobre você, porém o ar que sai da minha boca e embaça a janela do meu quarto me faz lembrar que é inverno, e um inverno parecido com aqueles que passei com você. Mas isso não importa tanto quando eu olho ao meu redor e não vejo ninguém.
Às vezes estar sozinho pode ser doloroso, mas você de alguma forma me ensinou uma certa dependência, e não, eu não gosto de ser dependente de você. Na verdade, acho que você me ensinou a ser dependente das pessoas, e eu também não gosto de ser dependente delas. É estranho olhar pra alguém e ver a minha própria felicidade presa nele, impregnada como um perfume forte. Mas desde que você foi embora eu não sinto mais o cheiro dela, não sei por onde anda e nem quem ela anda alegrando. Eu sei que algumas coisas ficaram sem serem ditas, algumas coisas sem serem feitas e outras sem ao menos serem cogitadas, eu sei, e do fundo do meu coração eu acredito que esse pode ter sido o melhor pra nós dois.
Talvez eu pudesse ter te feito feliz, talvez você pudesse ter me feito feliz. Talvez pudéssemos estar juntos agora um esquentando o outro, ou talvez você estivesse abraçada com seu travesseiro chorando e eu com um copo de bebida na mão em algum boteco da cidade. Talvez o nosso destino era ser um do outro, ou talvez ele fosse nunca termos nada além do que tivemos. O que me dói hoje não são as certezas que surgiram e nem as respostas que se revelaram. Eu só não consigo lidar com os "talvez" que me restaram.
28.7.13
22.7.13
Bar
Sentado na bancada de um bar tudo parecia morto. "Mais uma dose", eu pedia e o garçom simplesmente balançava a cabeça, cabisbaixo, como se não quisesse conversa. Uma televisão ligada emitia ruídos em meio aos chuviscos da falta de sinal. Um jukebox tocava um blues antigo que dava a sensação de um lugar mórbido. O meu whiskey continuava ali no meu copo que eu sacudia lentamente procurando por distração. A fumaça do meu cigarro subia como uma névoa em minha volta, era um cheiro desconfortavelmente confortável. Alguns relances de luz vinham dos letreiros com mal contato, brilhando meio à escuridão do lugar. Horas passavam e eu não queria ver a luz do dia. A saída era me dopar com algo mais forte que encarar a realidade. Só tinha a certeza que não havia pelo que lutar e que nada havia sido feito para dar certo. Era como se morrer hoje, amanhã, ou até mesmo ter morrido há dois dias não fizesse a menor diferença. Afinal, quem ia dar falta? Quem ia se lembrar? Então continuo aqui, bebendo até meu último centavo, pedindo mais uma dose de qualquer coisa forte o suficiente pra me derrubar e mais duas mais fortes ainda que pudessem tentar me fazer te esquecer.
10.7.13
What if?
E se eu aprendesse a cantar sua música favorita, faria alguma diferença? E se eu te chamasse 3 da manhã pra falar que não dá pra dormir tão longe? E se eu te ligasse desesperado dizendo que precisava da sua voz pra me acalmar? E se eu dissesse que quando imagino meus filhos, os imagino com seu sorriso? E se eu aparecesse com seu chocolate favorito? E se eu te chamasse pra ir domingo no parque? E se eu te mandasse uma carta sem ao menos saber seu endereço? E se eu contasse pra todo mundo que é você quem eu quero? E se você for embora e eu percorrer todo esse caminho a pé só pra te ver? E se eu te buscasse na chuva depois do trabalho só pra você não ficar doente? E se eu te desse minha blusa mesmo que tivesse que ficar descoberto no sereno só pra você não sentir frio? E se eu te contasse que até hoje não vi garota tão linda quanto você? E se eu te comprasse um anel de brilhantes com meu nome escrito nele? E se eu construísse sozinho uma casinha pra gente morar? E se eu te roubasse pra mim e te levasse pra onde você quisesse ir, só pra ver você sorrindo? E se eu te falasse que penso tanto em você que todas as minhas hipóteses tem você no meio? E se... E se... E se... E se eu te contasse a verdade?
4.7.13
Lembrando
Não sei se quero lembrar de como é o gosto do teu beijo,
pode ser que venha junto algo a mais que um desejo,
de matar a saudade, de lembrar da verdade.
A verdade que eu tanto lutei pra esquecer,
não foi fácil, eu sei, parar de pensar em você,
mas eu consegui e hoje continuo aqui.
Deixar para trás não é tão simples assim,
se marcou a minha vida, se tá dentro de mim.
Tem coisa que não se esquece, que não dá pra entender,
tipo por que eu fico lembrando quando eu quero esquecer?
Ficava até tarde tirando o frio com o seu corpo,
que sempre foi mais quente, me dava sentido novo,
será que vai ficar bem sem me tocar?
Secava suas lágrimas, te abraçava forte,
falava que te amava e que adorava o seu nome,
eu nunca menti que te queria aqui.
Deixar para trás, não é tão simples assim,
se marcou a minha vida, se tá dentro de mim.
Tem coisa que não se esquece, que não dá pra entender,
tipo por que eu fico lembrando quando eu quero esquecer?
Sinto falta do seu beijo e do toque da sua pele,
do abraço que me dava e isso ainda me persegue,
será que eu vou encontrar você em outro lugar.
pode ser que venha junto algo a mais que um desejo,
de matar a saudade, de lembrar da verdade.
A verdade que eu tanto lutei pra esquecer,
não foi fácil, eu sei, parar de pensar em você,
mas eu consegui e hoje continuo aqui.
Deixar para trás não é tão simples assim,
se marcou a minha vida, se tá dentro de mim.
Tem coisa que não se esquece, que não dá pra entender,
tipo por que eu fico lembrando quando eu quero esquecer?
Ficava até tarde tirando o frio com o seu corpo,
que sempre foi mais quente, me dava sentido novo,
será que vai ficar bem sem me tocar?
Secava suas lágrimas, te abraçava forte,
falava que te amava e que adorava o seu nome,
eu nunca menti que te queria aqui.
Deixar para trás, não é tão simples assim,
se marcou a minha vida, se tá dentro de mim.
Tem coisa que não se esquece, que não dá pra entender,
tipo por que eu fico lembrando quando eu quero esquecer?
Sinto falta do seu beijo e do toque da sua pele,
do abraço que me dava e isso ainda me persegue,
será que eu vou encontrar você em outro lugar.
2.7.13
Dentro de nós
Ou só de mim.
Sempre vi uma escuridão em volta. Espreitando, indo de lá pra cá. Ousando de aproximar um pouco mais, recuando. Dançando, como um lutador que dá varias voltas antes de deferir um golpe. E nessas indas e vindas, nesses pequenos ou grandes golpes, ela deixa um pouco dela. Um pouco que gruda na pele, e nos piores casos, se aprofunda mais, abre caminho, corre livremente, corroí livremente. Destrói.
Destrói cada pequeno resquício de algo bom, esconde e leva pra longe toda a cor da vida, toda luz. E no fim, não resta nada além de um corpo vazio e cinza que sobrevive no automático. Ou um corpo apodrecendo a sete palmos.
1.7.13
Aquecer
Se eu gostava dela? E como gostava. Só ainda não entendo o porquê. Ela era como uma blusa bem quentinha no frio, sabe? Eu meio que precisava dela. Não precisava sentir ela em mim, não precisava olhar no espelho pra ver, só precisava estar com ela. Era algo tão confortante que em pouco tempo meu coração ficava quente, na verdade, quente pode ser quente de mais, então acho que meu coração ficava confortável, razoável, como ele queria estar, bem aquecido.
Eu queria saber o que ela sentia, e como queria. Mas o quanto eu gostava era o quanto me faltava a coragem. Eu via, dava sinais, fazia de tudo. Só que ela nunca percebia, ou se percebia fingia que não. Mas quer saber, acho que é melhor assim. Eu cuidava dela, queria ela bem, fazia de tudo. Porém esse tudo ainda não era tudo o que eu queria fazer. Acho que não era nem a metade, pra falar a verdade. Mas deixa assim, deixa como está. Em pleno inverno não quero que meu coração fique com frio longe dela.
Eu queria saber o que ela sentia, e como queria. Mas o quanto eu gostava era o quanto me faltava a coragem. Eu via, dava sinais, fazia de tudo. Só que ela nunca percebia, ou se percebia fingia que não. Mas quer saber, acho que é melhor assim. Eu cuidava dela, queria ela bem, fazia de tudo. Porém esse tudo ainda não era tudo o que eu queria fazer. Acho que não era nem a metade, pra falar a verdade. Mas deixa assim, deixa como está. Em pleno inverno não quero que meu coração fique com frio longe dela.
Assinar:
Postagens (Atom)