Aqui estamos outra vez, de volta à estaca zero. De volta ao ponto de onde partimos. O problema de correr no circuito da vida é que às vezes chegamos ao ponto de partida sem completar a rota, só decidimos pegar o caminho de volta sem cursar o trajeto completo. Voltar na contramão é sim um jeito de tentar deixar tudo como estava outra vez, mas é também um empecilho para se descobrir o que tem no resto do percurso.
Muitos criticam aqueles que são pessimistas. Consideram o pessimismo como um defeito na personalidade, como algo a ser mudado, como uma parte ruim no indivíduo. Porém aos olhos do indivíduo, o pessimismo não é algo ruim que ele quer que mude, pelo contrário. O pessimismo é como um escudo, é mais que uma zona de conforto, é sentir-se bem. Ser pessimista não é apenas pensar que tudo vai dar errado, é se defender, é saber que a falsa sensação de felicidade que se destrói quando a ilusão vem à tona não vale tanto quanto já ter a certeza de que nada dará certo desde o começo.
A melhor parte de ser otimista é que em todos os dias dá pra ser bem humorado, pelo menos por um pouco. É saber que pode se viver alguns momentos com a intensidade que eles pedem, sem ser um peso morto na situação. Porque, quando se espera que tudo vai dar errado, se alguma coisa não dá tão errado assim, por menor que seja, já é um motivo a mais para se sentir melhor. E esse ciclo gira, e gira outra vez, e a vida continua. Entre uma surpresa e outra, continuo eu aqui, sobrevivendo, talvez até mesmo tentando viver.
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