Era meu aniversário de 7 anos. Faltavam algumas horas pra minha festinha. Lembro de estar vendo tv e minha mãe tomando banho quando o telefone tocou, e parecia que era importante porque ela saiu do banho rápido e foi atender. E aí ela começou a chorar. Meu avô havia morrido. Não me lembro muito mais daquele dia; ela parou de chorar, fizemos a festinha, acabou, fomos para o velório, eu dormi na casa da minha tia.
Eu não sabia o significado daquilo tudo; morrer. Aquilo não me afetou na hora, no dia. Mas os dias foram se passando e meu avô não estava lá para me levar à escola, assistir meus desenhos bobos, me levar pra dar uma volta na cidade, ou cuidar de mim quando eu ficava doente. Ele não estava mais lá. Nunca mais estaria. Me lembro de um dia minha mãe estar triste por causa disso e me xingar dizendo que no ultimo dia que ele passou em casa antes de ser internado eu não fui vê-lo. Acho que nunca teria me preocupado com isso se ela não tivesse falado. E agora eu penso nisso todos os anos, e me arrependo por não ter estado lá.
Quando eu brigo com alguém e ficamos sem nos falar eu acabo me pegando pensando sobre coisas ruins, como se a pessoa fosse morrer e eu não tivesse outra chance de dizer o quanto ela significa pra mim, ou ver seu sorriso de novo, ou qualquer outra coisa boba que acaba se tornando algo muito importante. Acabo pensando nisso todo os dias, se esse dia será o ultimo, e mesmo assim eu não vivo os momentos como se fossem os últimos E eu acabo o dia deitava na minha cama me arrependendo das palavras que eu não disse, dos abraços que eu não dei, dos erros que não perdoei. Ou me arrependendo das palavras que disse e das coisas que fiz.
Posso resumir o final dos meus dias como uma montanha de arrependimentos.
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