Hoje é dia dos namorados. Normal é ver tantos planos, tantos sorrisos, tantos suspiros de alegria e exaltação da parte dos casais. Parece que ficar feliz hoje, ou todos os 12 de junho da vida, é tão normal, tão simples e tão fácil. Só que tem horas que eu acredito odiar esse dia e tudo que ele remete.
Por que gostar de um dia que me faz lembrar onde eu queria estar? Por que gostar de um dia que só me faz pensar que eu nunca fui e nem vou ser alguma coisa importante de verdade pra você?
Passo a invejar o que essas pessoas sentem, sinto ciúmes de tantas demonstrações de amor e carinho e de tantos planos futuros, talvez pra dez anos ou mais, soando como se fossem para amanhã. É aí que me lembro que você me fez esquecer o que é sonhar, arrancou minhas asas para que eu não pudesse mais voar, amarrou uma âncora nos meus pés para que eu chegasse ao fundo do mar sem poder reagir e do meu coração fez pó. Tirou minha capacidade de almejar coisas boas, me fez ver o mundo com olhos de sangue.
Engraçado é quando a pessoa com o poder mais destrutivo sobre você é a mesma que faz você se sentir como se o céu, o inferno e a terra se juntassem em apenas um paraíso. Não queria te desejar assim, confesso que não queria. Mas por você eu sou capaz de esperar minhas asas crescerem novamente, esperar que a corda nos meus pés degrade para que meu corpo suba outra vez à superfície, esperar que o vento sopre cada grão do meu coração para uma única duna. Talvez meu otimismo tenha o seu nome e nem o sangue dos meus olhos me faça ver com desgosto a perfeição dos seus. Talvez eu seja só mais um doente por amor ansioso pelos seus cuidados.
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