Uma quarta-feira qualquer. O dia começa cedo. Acordo com fortes batidas na porta. Abro meus olhos e é como se não visse nada. É, parece que o espírito de solidão já cega minha alma logo cedo. Um banho quente lava o suor dos meus pesadelos. Arrumo minhas coisas e saio de casa. Tento me animar com algo de bom astral, mas isso é em vão. Chego na escola e o desejo de isolamento me domina. Fico no meu canto sem incomodar ninguém, até que uma repentina troca de lugares muda tudo. Sim, eu fui pra lá, fui pra bem perto daquela que rouba os sorrisos de onde o meu ódio protege. Enquanto tudo e todos estão distantes, ela se destaca sobre mim como aquela estrela que se apressa em aparecer no céu, mas não tem pressa alguma de deixá-lo. É, ela faz meus olhos brilharem.. Mas brilharem por quê?
Nessas horas o tempo dá passos curtos e as horas passam de um jeito diferente, pelo menos pra mim. Ela e o seu jeito confiante de ser me cativam, cativam o meu olhar me fazendo escravo de um sentimento que eu não consigo mais entender. A distância me deixa triste, as lembranças enchem meus olhos e a dor derrama minhas lágrimas. Mas a presença me anima, a voz me contenta e um olhar me faz sorrir. É estranho quando a mesma pessoa que te faz chorar, é a mesma que te faz rir atoa. Sonhar com tudo perfeito virou rotina. Perceber que nada é perfeito é apenas mais um constante pesadelo da realidade. Mas, sonhar é o que mantém a minha fé, ou pelo menos mantinha até que algo surgiu acabando com tudo. Na verdade, esse algo tinha o trabalho de acabar com tudo, mas infelizmente, não fez esse trabalho direito.
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