4.10.12

Vermelho.


  A casa estava silenciosa, até que uma criança entrou correndo pela porta da frente. Ela entrou em todos os cômodos, e saia de cada um com algum brinquedo. Entrou como um furacão no ultimo cômodo, empurrou a porta com força, e essa bateu na parede fazendo barulho. Abriu o armário, arrastou uma cadeira para perto e procurou por algo lá dentro. Saltou da cadeira com uma peruca vermelha, laranja e amarela. Abriu a primeira gaveta da cômoda e tirou de lá uma pequena esfera branca e vermelha. Abriu a segunda gaveta.
  A menina perdeu o animo ao olhar para o conteúdo da gaveta. Olhou para os dois lados, verificando se alguém estava a observando. Respirou fundo e pegou a pistola. Era pesada e muito grande para suas mãozinhas. A menina virou e revirou a arma, suas mãos tremiam. As balas estavam na gaveta.
Escutou o barulho do portão da frente. Guardou a arma rapidamente, colocando do mesmo jeito que havia achado e fechou a gaveta. Logo um sorriso surgiu em seu rosto e o furacão saiu do quarto.

  Um homem abriu a porta no quarto e deu um grito, terror estampava seu rosto. Ele correu até a menina e se ajoelhou ao lado de seu corpo. Era aquela menininha, mas ela havia crescido, passaram-se muitos anos após aquele dia. Mas era a mesma menininha.
  Não havia mais aquela paixão dentro dela, não havia mais aquele sorriso bobo, e seus olhos não transpareciam felicidade. Ali tinha terminado todo seu sofrimento. Só restou um corpo frio, lábios roxos e um olhar fixo no nada. Sua cor favorita que sujou suas roupas, suas mãos. E caída do seu lado, próximo a sua mão estava a arma. A menininha feliz se perdeu em algum lugar ao longo do caminho e essa menina não aguentava mais ser forte.

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