2.7.13

Dentro de nós

Ou só de mim.
Sempre vi uma escuridão em volta. Espreitando, indo de lá pra cá. Ousando de aproximar um pouco mais, recuando. Dançando, como um lutador que dá varias voltas antes de deferir um golpe. E nessas indas e vindas, nesses pequenos ou grandes golpes, ela deixa um pouco dela. Um pouco que gruda na pele, e nos piores casos, se aprofunda mais, abre caminho, corre livremente, corroí livremente. Destrói. 
Destrói cada pequeno resquício de algo bom, esconde e leva pra longe toda a cor da vida, toda luz. E no fim, não resta nada além de um corpo vazio e cinza que sobrevive no automático. Ou um corpo apodrecendo a sete palmos.

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