22.7.13

Bar

          Sentado na bancada de um bar tudo parecia morto. "Mais uma dose", eu pedia e o garçom simplesmente balançava a cabeça, cabisbaixo, como se não quisesse conversa. Uma televisão ligada emitia ruídos em meio aos chuviscos da falta de sinal. Um jukebox tocava um blues antigo que dava a sensação de um lugar mórbido. O meu whiskey continuava ali no meu copo que eu sacudia lentamente procurando por distração. A fumaça do meu cigarro subia como uma névoa em minha volta, era um cheiro desconfortavelmente confortável. Alguns relances de luz vinham dos letreiros com mal contato, brilhando meio à escuridão do lugar. Horas passavam e eu não queria ver a luz do dia. A saída era me dopar com algo mais forte que encarar a realidade. Só tinha a certeza que não havia pelo que lutar e que nada havia sido feito para dar certo. Era como se morrer hoje, amanhã, ou até mesmo ter morrido há dois dias não fizesse a menor diferença. Afinal, quem ia dar falta? Quem ia se lembrar? Então continuo aqui, bebendo até meu último centavo, pedindo mais uma dose de qualquer coisa forte o suficiente pra me derrubar e mais duas mais fortes ainda que pudessem tentar me fazer te esquecer.

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