28.7.13

"Talvez"

          Me sinto preso a um tipo de prisão sentimental. Na verdade isso tá mais pra quarto do pânico, sabe, aquele com paredes de aço onde nada entra e nem sai? Então, mas é melhor assim. Por mais que doa, por mais que eu sinta, ficar longe de tudo e de todos e consequentemente de você parece ser a única alternativa viável. É um consolo não precisar te ver ou ouvir falar de você e assim acabar lembrando de tudo que eu sempre tento esquecer e que temporariamente, de fato, acredito ter esquecido. Claro que não completamente, pois esse é mais um texto sobre você, porém o ar que sai da minha boca e embaça a janela do meu quarto me faz lembrar que é inverno, e um inverno parecido com aqueles que passei com você. Mas isso não importa tanto quando eu olho ao meu redor e não vejo ninguém.
          Às vezes estar sozinho pode ser doloroso, mas você de alguma forma me ensinou uma certa dependência, e não, eu não gosto de ser dependente de você. Na verdade, acho que você me ensinou a ser dependente das pessoas, e eu também não gosto de ser dependente delas. É estranho olhar pra alguém e ver a minha própria felicidade presa nele, impregnada como um perfume forte. Mas desde que você foi embora eu não sinto mais o cheiro dela, não sei por onde anda e nem quem ela anda alegrando. Eu sei que algumas coisas ficaram sem serem ditas, algumas coisas sem serem feitas e outras sem ao menos serem cogitadas, eu sei, e do fundo do meu coração eu acredito que esse pode ter sido o melhor pra nós dois.
          Talvez eu pudesse ter te feito feliz, talvez você pudesse ter me feito feliz. Talvez pudéssemos estar juntos agora um esquentando o outro, ou talvez você estivesse abraçada com seu travesseiro chorando e eu com um copo de bebida na mão em algum boteco da cidade. Talvez o nosso destino era ser um do outro, ou talvez ele fosse nunca termos nada além do que tivemos. O que me dói hoje não são as certezas que surgiram e nem as respostas que se revelaram. Eu só não consigo lidar com os "talvez" que me restaram.

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