8.8.13

Doce gargalhada

          Pego o celular. Conecto os fones de ouvido e automaticamente o som começa a tocar. Desbloqueio a tela, aciono o modo aleatório e dou uma zapeada pela lista de reprodução. Procuro, procuro, mas ali nunca encontro o som da sua risada. Tenho uma biblioteca cheia, carregada de músicas boas, das minhas prediletas, mas aquela sua gargalhada doce, sempre acompanhada de um encantador e incomparável sorriso, era tudo o que eu queria ouvir agora. Nem solos de guitarra ou os refrões mais melódicos possíveis tiram o poder que aquela sua risada tem sobre mim. Era como entrar em êxtase profundo, como navegar em um mar calmo onde a maresia só trazia tranquilidade.
          Acho que se eu fosse morrer amanhã apelaria pela sua presença. Não sei qual seria sua reação, confesso, mas sem mencionar o que se passava te pediria pra passar comigo aquelas duas dúzias de horas restantes como fazíamos antes, como vivíamos há algum tempo atrás. Te levaria pro programa que você escolhesse, shopping, restaurantes, clubes, até mesmo para a praia se você pedisse. Talvez te colocaria em um avião e viajaríamos pra longe, se essa fosse a sua vontade. Filmaria tudo, principalmente quando você achasse alguma situação engraçada e começasse a dar risada. Após essas horas juntos eu provavelmente te levaria pra casa, e como sempre falaria bem dos seus cabelos, aqueles longos cabelos louros, que eu sempre gostei. Os tiraria da frente do seu rosto e me despediria, pela última vez. Então poderia partir em paz, assistindo cada risada sua e sorrindo junto com elas secretamente. E você mesmo sem saber, teria feito meu último dia o mais feliz de todos que já havia vivido só por ter estado ao meu lado.

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