Ela foi, devagar, mexendo com tudo o que ele sentia. Ela mostrava ter algo que ele sempre havia procurado. Ela se foi tornando mais do que apenas uma peça do quebra-cabeças dele. Em pouco tempo, ele a via estampada em cada um dos lugares que olhava. Parecia que o verão tinha chegado mais cedo e novamente esquentado o seu coração.
Ele se sentia perdido, como em um túnel escuro, e tinha medo de chegar à luz. Ele sabia que a luz da sua vida era ela, como uma pequena estrela que por mais simples contribui de um jeito único a uma noite estrelada. Ele não sabia o que ela estava guardando dentro dos seus sonhos, nem se ele ao menos existia neles. Ele ficava apreensivo de que novamente ficasse cedo por uma luz mais forte do que seus olhos podiam aguentar.
Ela vivia tendo a necessidade de ser o norte dele. Ela sempre sonhou em ser a constelação mais bela das quais ele tinha recordação. Ela vivia pedindo aos céus que um milagre de amor unisse dois corações necessitados exatamente do que um podia dar para o outro. Ela sentia que ele era mais do que os seus sonhos a mostrara e queria vê-los acontecer. Mas ela tinha medo, medo de que ele ao invés das flores de primavera fosse apenas como as folhas secas de outono, e deixasse seus braços tão rápido quanto elas se desprendem de seus galhos.
Dois corações sedentos por amor. Dois peitos sobrecarregados de medo. Duas vontades de forças inimagináveis. Dois sonhos completamente incertos. Duas mãos ansiosas por um toque. Dois lábios desesperados por um beijo. Dois corpos esperando, apenas, por tudo aquilo que já está escrito.
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