15.9.12

Amor de quatro estações

          Ela, tão pequena, tão intocável. Ele, tão grande, tão surrado. Ela, carinhosa e carente. Ele, querendo dar carinho sem pensar no que teria de volta. Ela, tão educada, tão perfeitinha. Ele, tão largado, tão insuficiente. Eles, tão diferentes, tão em comum...
          Um olhar marcado, profundo. Um nome de um som tão agradável quanto o canto dos pássaros da primavera. Um jeito meigo, encantador como os tão surreais contos de fadas. Um falar tão culto quanto um poema daqueles que fazem estremecer o coração. Uma personalidade tão adorável como o desabrochar de uma rosa. Uma pele tão frágil quanto o desmanchar de um dente-de-leão soprado por uma brisa de fim de tarde. Um corpo tão encantador quando o ofuscante brilho de um diamante recém esculpido. Era tudo perfeito, tudo no lugar...
          Ele não sabia mais se o que via era apenas encantamento, ou se já havia começado a gostar demais. Ele não sentia mais vontade de ficar sozinho pra sempre outra vez. Ele só queria segurar as mãos dela, e a pedir pra ficar.. Que fosse por um segundo, que fosse por dois.. Mas que apenas ficasse. Ele via as fotos como um sonho distante, de um amor tão perto. Ele só sabia falar dela, e pensar nela durante cada segundo longe. Ele só queria a abraçar, dizer que a amava, talvez vivendo um outro amor. Tudo o que ele queria era tentar, descobrir, ver aonde tudo iria dar. Tudo o que ele queria era arriscar em uma paixão de inverno, ou em um amor de quatro estações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário