20.9.12

"Alice no país da realidade"

Acho que sou uma dessas pessoas que parecem difíceis mas são bem fáceis. Calma, não é no sentindo que você deve estar pensando. Vou tentar explicar, mas já deixo claro que essa é uma das coisas que eu não sou nada boa em fazer.
Mudo de ideia rapidamente, tenho poucas certezas na vida - se é que realmente tenho alguma -, posso contar tudo que lembrar sobre mim hoje e amanha estar diferente, e mesmo que fizesse uma dissertação todo dia ainda não haveria nada fixo, e considerando que ela seja sempre sincera; sim, eu minto e omito bastante coisa, digo o que querem ouvir apenas por falta de paciência, escondo coisas que talvez não devesse; não aceito colo quando estou triste, mas existem raras exceções, se eu cobrar atenção é porque tem algo errado.
Já me disseram que sou apenas uma menininha disfarçada de madrasta da branca de neve (aquela versão de once upon a time), que no fundo eu sou uma boa pessoa e adoro e só quero receber carinho. Eu nego, mas agora vou admitir que é verdade. Sou carente. Não ligo se um garoto que eu mal conheço se sentar do meu lado e ficar abraçado comigo por um tempão (hello stranger, queria mencionar isso e dizer obrigado). Nada me faz sentir melhor do que um abraço bem apertado e que dure muito tempo. Mas abraços assim quando estou triste não são validos, meus olhos quase transbordam com as lagrimas, e se tem uma coisa que eu odeio é chorar, mas eu choro, e demais, se eu fosse um cartoon iria inundar meu quarto todos os dias. Gosto da minha imagem de durona (que eu penso ter), mas é só chegar em casa que o verdadeiro eu aparece, e chora tudo que tem pra chorar. Penso que existem varias Tati dentro de mim, e que a verdadeira e essa chorona e carente, mas ninguém a conhece porque as outras não deixam. Estão em constante briga, mas é uma briga com boas intenções, só não querem que vejam o quanto a pequena é uma criança vulnerável, afinal, como vencer se contarmos o plano? Então ela fica lá quietinha, ora ou outra algo a atinge e surge outra Tati para defendê-la. Acho que algum dia vai ter tantos eu de mentira que eu de verdade vai morrer sufocada. Tenho um pouco de medo disso, ao mesmo tempo sei que seria ótimo e aguardo ansiosamente.
Gosto muito de coxinha e mudo de assunto rápido. Quando acordo cedo, sempre tem uma luz que entra pela janela do banheiro (aqueles fechos de luz) e eu consigo parar bem pertinho do espelho e essa luz fica nos meus olhos. Tenho olhos castanhos. Vejo um deserto nos meus olhos ou talvez seja um planeta distante e desconhecido.  Meus olhos me descrevem: distante e desconhecida.
Não gosto de falar, não gosto de compartilhar meus pensamentos e sentimentos, gosto de ser a ouvinte, o abraço acolhedor, o ombro para chorar. Sou mal interpretada, por não usar as palavras certas, por não me ouvirem com atenção, e principalmente por eu ser tão confusa.
E tem tantas coisas mais pra falar sobre mim, mas já não quero falar nada. Quero guardar todo o resto pra mim, afinal, já falei demais.

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