Ah, como foi humilhante ver a expressão dos meus colegas, minha professora e funcionários ao me verem chorar. Humilhante ter o coração partido mais uma vez. Ultima vez. Preferia estar sozinha em casa a estar trancada em algum box do banheiro; chorando todas as lagrimas que tinha, as que não achei que ainda existissem. Até alguém vir assoviando, pedir pra entrar e me fazer falar, falei tudo que estava preso aqui dentro, tudo de ruim que iria me consumir. Ouvi que estava tudo bem em chorar. E ai eu melhorei, passou, sem mais lagrimas, sem mutilar minha alma, sem ódio.
Chorar, mutilar minha alma; sei que isso
sempre foi parte de mim que ainda não sei como deixar. Mas não deixarei que isso
me impeça. Não criarei limites para procurar o que me faça bem, mesmo que tenha seus lados negativos. Ah, queria mesmo é desistir de tudo, mas não posso. Não posso ser um peso e uma decepção pra minha
família, não posso deixar minha pessoa sozinha. Mesmo que cada segundo agora seja ruim. Porque estar sozinha é
torturante, ou melhor, se sentir sozinha, se sentir um nada no mundo, a ultima
opção, sentir que nada faz sentido e achar que um dia olharei pra trás e só o
que conseguirei pensar é que deveria ter desistido de mim mais cedo.
Pois bem, estou desistindo de mim agora; pelo menos de uma parte de mim.
Acho que não vou sentir falta.
(Esse é um discurso que faço a mim mesma agora que não estou
triste, que não estou nada, que estou em um universo paralelo que ninguém
conseguiu entrar e ficar, só passar. Talvez eu chore a noite, chore até não ter
mais um pedacinho do meu travesseiro que não esteja molhado. Até eu tremer e
não me aguentar. Até que eu tenha vontade de sair pela porta da frente e não
voltar. Até os soluços me doerem. Até que eu durma. Talvez sim, talvez não. Mas
o que importa é desistir de verdade e não voltar atrás, pois já não acredito que vá valer
a pena.)
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