22.11.12

Alguma coisa velha

- Já se arrumou? – Julia entrou no quarto enrolada em uma toalha após um banho demorado.
- Não quero mais sair – A outra mulher disse, com o olhar fixo no travesseiro ao seu lado. Estava ali a algum tempo sem se mexer e nem dizer nada.
  Julia se deitou ao seu lado, fazendo com que ela a olhasse, já que agora sua cabeça descansava no travesseiro. As duas se olharam por um tempo, um olhar gentil e preocupada e outro que parecia estar muito distante. Julia sorriu e a outra suspirou e afundou o rosto do travesseiro.
- O que você tem, Luísa? – Julia perguntou, preocupada.
  Luísa parecia estar tremendo. Julia a puxou para si sem nenhum esforço, Luísa afundou o rosto na curva do pescoço dela e a abraçou, isso fazia ela se sentir protegida. Seu corpo tremia mais ainda enquanto recebia carinho.
- Você sabe que eu não gosto... – começou a dizer com a voz rouca e enrolada pelas lagrimas. Julia sabia que ela odiava quando queria chorar e alguém lhe fizesse um carinho, isso a fazia chorar mesmo, e a ideia de alguém a ver chorar era insuportável.
- Pode chorar, flor – Disse, ainda fazendo carinho. – eu vou ficar aqui.
  E foi até ai que ela conseguiu se conter. As lagrimas foram saindo uma atrás da outra, até que seus soluços enxeram o quarto. Ela se abraçavam apertado enquanto Luísa dizia coisas sem sentido até não conseguir mais formular as palavras e apenas deixava a dor tomar conta e as lagrimas caírem. Ficaram assim até que aquilo parou.
- Pronto, pronto – Julia disse afagando suas bochechas – tá melhor? 
- Não – respondeu, a voz falhando. Estava com a sensação de que sua garganta iria fechar. Se afastou e puxou o edredom até o pescoço, o olhar fixo no teto. As lagrimas caim pelo seu rosto novamente.
- Conversa comigo, me deixa te ajudar - ela pediu.
- Ninguém entende, ninguém ajuda, e eu tô tão cansada.
  Sentou-se na cama, respirou fundo, tentando fazer sua respiração voltar ao normal. Sem dizer mais nada levantou-se, foi até o banheiro, pegou dinheiro e as chaves e saiu. Deixando toda a dor ecoar no apartamento silencioso.



(Apenas um texto que eu achei e devo ter escrito em 2008/2009, mudei o nome dos personagens e resolvi postar)

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