E você era assim, simples como um lençol, mas complexa como um cobertor. Me esquentava na medida certa, me protegia de todo o resto do mundo, me defendia de qualquer monstro ou aberração, me abraçava, se envolvia em mim e dizia as últimas palavras antes de dormir. Em seus braços eu me sentia em casa, talvez algo a mais do que isso. Você era como uma fortaleza pra mim, mas contigo eu não era apenas um menino atrás de abrigo. Por você eu estava disposto a atravessar mares em fúria, desertos em meio a tempestades de areia, céus trovejantes, ou até mesmo o mundo inteiro durante o apogeu de um apocalipse.
Você era da minha cor predileta, da textura mais suave e do toque mais sensível. Era a minha primeira opção, era a minha preferida. Eu nunca ousaria esquecer de quantas noites dormi bem com você, de quantos dias acordei bem disposto por sua causa, ou das vezes que precisei pensar e senti você comigo, distante mas ao mesmo tempo presente. Você era da marca mais cara, do tecido mais durável. Quanto mais o tempo passava (e passa) você continuava a se tornar melhor e mais aconchegante. Talvez o que você é seja algo eterno, como um ciclo da água ou algo assim.
Mas dói saber que agora quem usufrui da sua magnitude e perfeição não sou eu. Dói saber que talvez eu nunca descubra, ou te sinta outra vez. Dói saber que eu perdi o lençol que eu mais gostava e que nunca encontrarei outro igual.
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